domingo, 30 de novembro de 2008

Sentimento de incompletude

Ontem durante palestra do Gikovate sobre o amor, ele disse que quem ama não sossega, é doido e só os doidos conseguem fazer algo de bom porque procuram, buscam, são incansáveis. Quem ama se acha incompleto e se incomoda com a inércia, com a paralisia do corpo e do espírito. Que sejamos todos loucos! Hoje, por exemplo, estou muito louca. Acho que produzi um texto muito bom , o último, da minha pós-graduação. gostei muito do resultado e isso me deixou feliz demais. Mandei o texto para o professor e ele me deu um ótimo feedback. Nesse momento estou arrumando as minhas coisas para a semana de trabalho, todos os meus filhotes estão guardados em casa e eu sinto uma enorme paz.

Vocês são lindos e maravilhosos, meus amores. Beijos da mamãe.



ASSIS BRASIL
Dia desses eu estava no portão da Fundação Bradesco com a professora Conceição, quando vi aquela pessoa passeando no calçadão da escola. E logo a Conceição o reconheceu e ele parou pra conversar com a gente.Era Assis Brasil. fiquei emocionada e surpresa. estava acompanhado da Flávia, uma ex-aluna minha, que agora é seu par constante e me surpreendi quando ela me disse que ele estava morando logo ali, perto da casa dela. Flávia é uma amante da Literatura, não só como leitora, também gosta de escrever. Disse que ele estará lançando um livro no dia 04/12 (próxima quinta-feira). Que pena, é um dia cheio pra mim. Não vou poder ir. Ficamos de agendar um encontro na escola.

sábado, 29 de novembro de 2008

Voltei!


Voltei!

Depois de um longo dia de trabalho e de tantas coisas boas que aconteceram, resolvi voltar. Estou esperando o Hélio organizar o layout. Não é assim que eu quero, mas eu estava vendo aqui algumas coisas e resolvi postar estas que eu já havia selecionado.

Olha só, esta é uma conversa de comadres. Os nomes são fictícios, mas a história é verdadeira.

Mercúrio?
Recém-chegada do interior do Piauí, menina, devia ter uns 14 anos. Cuidaria de uma criança de 2 anos na casa da dona Nena, em Teresina. Logo ficou encantada pela cidade, televisão e pelo rapaz que aparecia na janela do outro apartamento. Começou a assediá-la toda vez que dona Nena saía para o trabalho. Ela foi se deixando envolver . Estava apaixonada. Era virgem e era a primeira vez que lhe batia forte o coração e um fogo lhe subia pelas coxas em labaredas de desejo. Ele, tratou logo de seduzi-la.
Chegou o grande dia. Seria dele. E assim foi. Depois daquele momento, entorpecida de amor, sentiu um fio de sangue descendo em suas coxas e ficou desesperada. “O que é isso?” perguntou ao rapaz. “Não é nada, passa mercúrio que sara.” E haja mercúrio todo dia. Nada! Enjôos, tonturas , voltou para o interior e dois anos depois...
“Dona Nena, não seu o que faço com esse menino, é danado demais!” “Quer dizer então, que este é o Merc..., perguntou dona Nena” “É, dona Nena, de batismo é Fábio.

Não me lembrava mais dessa menina, quando dia desses conversando com minha amiga Nena ela me saiu com essa: “Marla, pois não é que o mercúrio já tem dois anos!

Fundação Maria Carvalho - 10 anos

Hoje foi um dia especial para a vida de muitas mulheres portadoras de câncer de mama. A Fundação Maria Carvalho, presidida pelo Dr. Luis Aírton é um exemplo de trabalho solidário, de assistência social, de saúde no combate ao câncer de mama no Piauí. Estive presente ao evento no Cine Teatro da Assembléia Legislativa. A programação incluiu exibição de vídeos, missa em ação de graças, desfile de sutians da faculdade moda da Novafapi e palestra com o Psicoterapeuta Flávio Gikovate que falou de Felicidade e de amor. O que é preciso para ser feliz?

Segundo Flávio Gikovate, duas coisas são inimigas da felicidade: a vaidade e o medo de ser feliz.
A felicidade não exclui o sofrimento, mas é preciso estar aberto a ela. Um requisito essencial é a maturidade emocional, a capacidade de superar as situações de sofrimento. A felicidade não está ligada a fatores materiais, a dinheiro, por exemplo. Ela exige respeito pelas diferenças, domínio do positivo e democracia. O egoísmo não combina com felicidade.



Porto solidão

Essa semana ouvi muito Jessé. Procurando uns Cd´s para colocar no carro encontrei este do Jessé.

Porto Solidão
Jessé

Composição: Zeca Bahia e Gincko

Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...

Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
De versos naufragados
E sem tempo...

Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...(2x)

Solidão De Amigos
Jessé

Composição: Jessé

Lenha na fogueira, lua na lagoa
Vento na poeira, vai rolando à toa
A cantiga espera quem lhe dê ouvidos
A viola entoa, solidão de amigos

A saudade lembra de lembranças tantas
Que por si navegam nessas águas mansas
A saudade lembra de lembranças tantas
Que por si navegam nessas águas mansas

Quando a cachoeira desce nos barrancos
Faz a várzea inteira se encolher de espanto
Lenha na fogueira, luz de pirilampos
Cinzas de saudades voam pelos campos

A saudade lembra de lembranças tantas
Que por si navegam nessas águas mansas
A saudade lembra de lembranças tantas
Que por si navegam nessas águas mansas

Campo Minado
Jessé


Composição: Mário Maranhão / Mário Marcos / Maxcilliano

Já andei por tantas terras
Já venci mil guerras
Já levei porradas, dominei meu medo
Já cavei trincheiras no meu coração

Descobri nos pesadelos sonhos mutilados
E acordei no meio de anjos cansados
De serem usados pela solidão

Ah! Meu coração é um campo minado
Muito cuidado, ele pode explodir
E se depois de tão dilacerado
For desarmado por quem há de vir

Alguém que queira compensar a dor
Plantar o sonho e ver nascer a flor
Alguém que queira então me residir
E explodir meu coração de amor

Abismo

Não conhecia esta música. Esta semana durante a reunião do CMAS, seu Lima, que me acha linda, escreveu esta música de Anísio Silva em uma folha de papel e me ofereceu e ainda leu em voz alta.

Abismo
anísio silva

quem na vida por amor
num momento de paixão
certo da felicidade
entregou seu coração

com certeza como os outros
que o destino enganou
afastou da verdade
na mentira acreditou

agora, em todos instantes que passa
vem maior sua desgraça
neste crime por amor.

Nietzsche

O filósofo da afirmação da vida
Em lugar de utilitarismo e uniformização, ele propunha cultura e aprimoramento pessoal

Por Marcio Ferrari
Rebelde e provocador, o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) se propôs a desmascarar as fundações da cultura ocidental, mostrando que há interesses e motivações ocultas, e não valores absolutos, em conceitos como verdade, bem e mal. Com isso, Nietzsche aplicou um golpe nos sistemas filosóficos, morais e religiosos. Sua frase mais conhecida ("Deus está morto") não trata apenas de ateísmo, mas da necessidade de romper a "moral de rebanho" - as verdades tidas como inquestionáveis e o que é aceito por imposição - para viver as potencialidades humanas em sua plenitude.

Nietzsche foi professor universitário e escreveu textos específicos sobre Educação. "A máxima ‘tornar-se aquilo que se é’ orienta seu pensamento nessa área", diz Rosa Maria Dias, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. "Com essa frase, ele indica a tarefa do educador de levar seus alunos a pensar por si mesmos."

O filósofo criticava o sistema escolar por ser um reforço da moral de rebanho: ao uniformizar o conhecimento e os próprios alunos, a instituição se curva às exigências externas do mercado e do Estado. Na Educação de seu país, ele via o avanço do ensino técnico sobre todos os níveis escolares com a finalidade de preparar profissionais e servidores competentes. Em lugar da massificação e do utilitarismo, Nietzsche propunha o aprimoramento individual e uma "Educação para a cultura" (leia o quadro na página 28). Entenda-se por cultura a criação de "personalidades harmoniosamente desenvolvidas", segundo Rosa Dias.

A habilidade de transformar

Se Nietzsche combatia a vulgarização dos conteúdos escolares, também criticava o saber voltado para a erudição. Para ele, havia em sua época um excesso de cultura histórica, que gerava uma reverência paralisante ao passado. Com isso, sufocava-se a força do agora e impedia-se o surgimento do novo. Mais ainda: a tendência histórico-cientificista impossibilitava a presença efetiva da Arte e da Filosofia no ensino, por se tratarem de campos de conhecimento instáveis e desafiadores, que estimulam a crítica.
Biografia
Vida marcada por conhecimento e dor
Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844 em Röcken, Alemanha, filho e neto de protestantes. Nas universidades de Bonn e Leipzig, estudou Filologia, disciplina que lecionou na Universidade da Basiléia, na Suíça. Apaixonado por música, chegou a compor peças para piano. Sua carreira universitária começou a declinar com a publicação de sua primeira obra, O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (1872). Em 1877, publicou Humano, Demasiado Humano, na forma de aforismos. Quase cego, com freqüentes crises de enxaqueca, se aposentou em 1879. Entre 1883 e 1888, publicou, entre outros livros, Assim Falou Zaratustra e dois títulos para explicá-lo (Além do Bem e do Mal e Genealogia da Moral). Passou os últimos 11 anos de vida mergulhado na loucura e morreu em 1900, de paralisia geral, na cidade alemã de Weimar.
Sem ser contra o ensino de História nem subestimar o sentido histórico dos fatos, o filósofo via no sistema engessado um entrave para a percepção da "força plástica" do ser humano - isto é, sua habilidade de transformar. "Para não agir como coveiro do presente, é necessário conhecer a capacidade de crescer por si mesmo, assimilar o passado, cicatrizar feridas, preparar perdas, reconstruir as formas destruídas - tudo isso é força plástica", diz Rosa Dias.

Nietzsche lamentava que uma espécie de ditadura da praticidade tivesse causado a perda da importância da leitura e do estudo de língua nas escolas, levando à degeneração da cultura. Naquele momento, dizia ele, ou se via o idioma como um organismo morto a ser dissecado, ou se encaminhavam a escrita e a leitura para os usos meramente comunicativos, reduzindo os textos a um padrão simplificado, supostamente ágil e moderno.

Um dos primeiros pensadores a conceber a leitura como uma atividade que não se limita à assimilação passiva de informações, Nietzsche achava que ler era uma experiência transformadora, inclusive no sentido físico. Isso porque, para se formar leitor, é necessário educar a postura, treinar a concentração e perseverar.

Vontade de potência
Como grande admirador da Antigüidade, principalmente da cultura clássica grega, o filósofo não aceitava a separação entre o corpo e o espírito. Tampouco dissociava, em seus textos, pensamento e vida. Segundo o filósofo Gilles Deleuze (1925-1995), no ideal de Educação de Nietzsche, "os modos de vida inspiram as maneiras de pensar e os modos de pensar criam maneiras de viver".
Os caminhos de Nietzsche
A experiência estética no início de tudo


PAIXÃO PELA ESTÉTICA O pensador admirava o belo na filosofia, na arte grega e na música
As grandes influências de Nietzsche surgiram na época em que ele era estudante na Universidade de Leipzig. Lá ele descobriu a filosofia de Arthur Schopenhauer (1788-1860) e a música de Richard Wagner (1813-1883), de quem se tornou amigo mais tarde. Além da filosofia e da música, a Antigüidade clássica grega era seu terceiro interesse primordial. Nos três, se encontrava o papel central da experiência estética. Nietzsche via em Wagner o renascimento da grande arte grega. Mais tarde, o filósofo se distanciou do compositor, por considerar que ele se curvava ao gosto do público burguês, e da obra de Schopenhauer, por ver em seu pessimismo um sintoma de decadência cultural. Na maturidade, Nietzsche analisou a origem e a função dos valores na vida e na cultura, concluindo que uma "moral de escravos" se impôs à humanidade desde o predomínio da tradição judaico-cristã. Compaixão, humildade, ressentimento e ascetismo teriam, então, constrangido a vontade de potência, que seria o princípio de toda a vida. Nietzsche, que abominava o anti-semitismo e o nacionalismo, foi visto durante muito tempo como inspirador do nazismo por causa da edição forjada e mal-intencionada que sua irmã, Elizabeth, fez dos escritos deixados por ele.
Encontra-se nesse processo contínuo a vontade de potência, que na filosofia nietzschiana é a força motriz do ser humano. "A vida é antes de tudo uma capacidade de acumular forças", explica Rosa Dias. "Ela é essencialmente o esforço por mais potência, e para isso precisamos ser instruídos." Portanto, para Nietzsche, a Educação deveria se especializar em formar personalidades fortes, não homens teóricos ou pessoas ilustradas.

Cabe à escola, de acordo com o filósofo, produzir nos alunos a capacidade de dar novos sentidos às coisas e aos valores. Nietzsche dizia que só os jovens poderiam entender suas contestações. É, então, de supor que a idade escolar seja a melhor para levar o ser humano a pensar criticamente a respeito do mundo a sua volta. Mas, para isso, a sala de aula precisa valorizar "uma cultura da exceção, da experimentação, do risco, do matiz", nas palavras do filósofo.

Finalmente, ao educador cabe o papel de modelo, alguém que demonstra como se educar com disciplina e paciência. "Educar-se para ser educador significa, basicamente, estar à altura daquilo que se ensina", diz Rosa Dias. "O professor precisa ser mestre e escultor de si mesmo."

Retirado da Revista Novaescola edição de novembro/2008

Sobre a Inteligência e o Pênis

Sobre a inteligência e o pênis
Deus abandonou os céus monótonos em que vivia e se mudou para o jardim das delícias

Rubem Alves

O que vou escrever não saiu da minha cabeça. Encontrei escrito nas Escrituras Sagradas. Elas contam que no princípio de todas as coisas Deus estava infeliz. A mesmice da eternidade perfeita lhe dava tédio. Aí ele se perguntou: "o que é que me faria feliz?"

Aí ele teve um sonho: sonhou com um jardim. Resolveu, então, plantar um jardim para ficar alegre. Começou nos confins do vazio, criando as grandes estrelas, o sol, a lua, e foi afunilando, afunilando, até chegar a um lugar bem pequeno onde plantou o seu sonho: o paraíso. Fontes, árvores frutíferas, flores, pássaros, borboletas, animais de todo tipo e até um vento fresco e perfumado que soprava nas tardes.

Era o jardim das delícias, destino dos homens, destino do universo, o destino de Deus! O paraíso era melhor que o céu! Prova disso é que Deus abandonou os céus monótonos em que vivia e se mudou para o jardim.

Terminado o seu trabalho de seis dias, Deus parou de trabalhar. Entregou-se então àquilo para o que o trabalho havia sido feito: uma deliciosa vagabundagem contemplativa. Os olhos olharam para o jardim e experimentaram o êxtase da beleza! "E viu Deus que era muito bom..." Nada havia para ser feito. Havia tudo para ser gozado.

Os poemas sagrados colocam as coisas na ordem certa. A semana bíblica começa com os dias de trabalho e termina com o dia do descanso. Mas a Igreja alterou essa ordem. Pôs em primeiro lugar o dia do descanso. Descansar para quê? Para trabalhar. Nessa inversão da ordem se encontra toda uma filosofia de vida. A filosofia do Criador diz que o objetivo da vida é o gozo. Vivemos para o prazer e a alegria. O trabalho é apenas um meio para se chegar ao gozo. Mas a filosofia da Igreja diz o contrário: que o objetivo da vida é o trabalho, e o descanso existe só para a gente trabalhar melhor. O gozo é perigoso. No gozo moram os pecados. É preciso trabalhar muito para não ter tempo para pecar...

Se fôssemos feiticeiros, se tivéssemos o poder mágico dos deuses, bastaria dizermos o sonho em voz alta para que ele se realizasse. Mas, infelizmente, feiticeiros não existem. Para que as coisas existam, não basta sonhar. É preciso pensar. É o sonho que desperta a inteligência: "inteligência! Pense as coisas que tenho de fazer para realizar o meu sonho". Somente então a inteligência acorda e se põe a pensar.

A inteligência funciona do jeito como o pênis funciona. Pois o que é o pênis? É um órgão que, no seu estado normal, é um apêndice ridículo, flácido, que realiza funções escretoras automáticas que não exigem esforço de pensamento. Mas, se provocado pelo desejo, ele passa por extraordinárias transformações hidráulicas, cresce, aponta para o alto e ganha o poder de dar prazer e de criar vida. Sem desejo é inútil que a cabeça lhe dê ordens...

Assim também é a inteligência. No cotidiano, ela se encontra num estado de flacidez e preguiça que é mais do que suficiente para a realização das tarefas rotineiras. Quando, entretanto, a inteligência é provocada pelo desejo, ela cresce e se põe a pensar as coisas mais extraordinárias. Essa idéia louca já havia passado pela sua cabeça - que a função principal da educação é erotizar a inteligência para que ela?tenha ereções e?acorde da sua letargia?

Rubem Alves - Educador e escritor
Revista educação edição 138