É hoje!
A Voz De Uma Pessoa Vitoriosa
Maria Bethânia
Composição: Caetano Veloso / Waly Salomão
Sua cuca batuca
Eterno zig-zag
Entre a escuridão e a claridade
Coração arrebenta
Entretanto o canto aguenta
Brilha no tempo a voz vitoriosa
Sol de alto monte, estrela luminosa
Sobre a cidade maravilhosa
E eu gosto dela ser assim vitoriosa
A voz de uma pessoa assim vitoriosa
Que não pode fazer mal
Não pode fazer mal nenhum
Nem a mim, nem a ninguém, nem a nada
E quando ela aparece
Cantando gloriosa
Quem ouve nunca mais dela se esquece
Barcos sobre os mares
Voz que transparece
Uma vitoriosa forma de ser e viver.
CAetano:
"Digo sempre que sou melhor do que Gil, Chico e Milton a jornalistas que pensam que é modéstia minha (falsa ou verdadeira) dizer que não me acho um bom músico. É uma piada absurda para que eles percam o direito de pensar assim. Mas há algumas coisinhas que me fazem às vezes crer que sou mesmo superior a todos eles. Por exemplo: sou irmão de Maria Bethânia. O texto de Zuenir sobre “o primeiro a gente nunca esquece” diz o que se deve sobre o surgimento e a trajetória luminosa de minha irmãzinha."
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Caetano Veloso - Cê
Adoro estas músicas músicas desse CD.
MInhas Lágrimas
desolação de Los Angeles,
a Baixa Califórnia e uns desertos ilhados por
um pacífico turvo
a asa do avião
o tapete cor de poeira de dentro do avião
a lembrança do branco de uma página
nada serve de chão
onde caiam minhas lágrimas
Não me arrependo
música para Paulinha
eu não me arrependo de você
cê não me devia maldizer assim
vi você crescer
fiz você crescer
vi cê me fazer crescer também
pra além de mim
não, nada irá nesse mundo
apagar o desenho que temos aqui
nem o maior dos seus erros,
meus erros, remorsos, o farão sumir
vejo essas novas pessoas
que nós engendramos em nós
e de nós
nada, nem que a gente morra,
desmente o que agora
chega à minha voz.
MInhas Lágrimas
desolação de Los Angeles,
a Baixa Califórnia e uns desertos ilhados por
um pacífico turvo
a asa do avião
o tapete cor de poeira de dentro do avião
a lembrança do branco de uma página
nada serve de chão
onde caiam minhas lágrimas
Não me arrependo
música para Paulinha
eu não me arrependo de você
cê não me devia maldizer assim
vi você crescer
fiz você crescer
vi cê me fazer crescer também
pra além de mim
não, nada irá nesse mundo
apagar o desenho que temos aqui
nem o maior dos seus erros,
meus erros, remorsos, o farão sumir
vejo essas novas pessoas
que nós engendramos em nós
e de nós
nada, nem que a gente morra,
desmente o que agora
chega à minha voz.
domingo, 28 de setembro de 2008
Pôr do Sol em Teresina
Foto tirada hoje, à tardinha, quando íamos para o shopping. Avenida Cajuína. Clic da Laressa.

Este gatinho aqui é meu netinho Cauã. O danado vive disputando comigo o computador. Gosta de jogar, escrever o nome e brincar com as cores. Vive querendo me ensinar a jogar. Quando ele quer que eu saia do computador, ele diz: "vovó, pode deixar, eu "mimizo" pra você.


Ela é linda, não é? É a minha filhota Laressa, mãe do Cauã.

Pronta para a festa, ontem.

Este gatinho aqui é meu netinho Cauã. O danado vive disputando comigo o computador. Gosta de jogar, escrever o nome e brincar com as cores. Vive querendo me ensinar a jogar. Quando ele quer que eu saia do computador, ele diz: "vovó, pode deixar, eu "mimizo" pra você.
Ela é linda, não é? É a minha filhota Laressa, mãe do Cauã.
Pronta para a festa, ontem.
Frases
"Não se cria nada com um texto que se compreende com demasiada exatidão." (Miguel de Unamuno, escritor, poeta e filósofo espanhol)
"Um povo que não tem quem lhe fale perde o hábito de ouvir." (Rui Barbosa)
"Palavras são um brinquedo que não fica velho. Quanto mais as crianças usam palavras, mas elas se renovam." (José Paulo Paes)
"Todas as palavras são igualmente lindas. Nós é que a corrompemos." (Nelson Rodrigues)
"O que é bem dito diz-se com rapidez. (...)O bom, se é conciso, é duas vezes bom." Baltasar Gracián,filósofo enpanhol)
"O pior erro que pode cometer um poeta é sucumbir a regras e convenções." (Augusto do Anjos)
"Um povo que não tem quem lhe fale perde o hábito de ouvir." (Rui Barbosa)
"Palavras são um brinquedo que não fica velho. Quanto mais as crianças usam palavras, mas elas se renovam." (José Paulo Paes)
"Todas as palavras são igualmente lindas. Nós é que a corrompemos." (Nelson Rodrigues)
"O que é bem dito diz-se com rapidez. (...)O bom, se é conciso, é duas vezes bom." Baltasar Gracián,filósofo enpanhol)
"O pior erro que pode cometer um poeta é sucumbir a regras e convenções." (Augusto do Anjos)
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Prêmio Jabuti
Os vencedores do Jabuti
Postado por Luciano Trigo em 23 de Setembro de 2008 às 15:59
A Câmara Brasileira do Livro divulgou há pouco os vencedores do Prêmio Jabuti - três em cada uma das 20 categorias. Mas os melhores livros do ano, em Ficção e Não-Ficção, só serão conhecidos na cerimônia de entrega das estatuetas, no dia 31 de outubro. O Jabuti 2008 tem uma premiação total de R$120 mil: R$3 mil para primeiro lugar de cada categoria, e R$30 mil para os dois melhores do ano. A comissão julgadora analisou 2.141 obras ao todo, e a lista divulgada hoje traz algumas surpresas. Seguem os títulos premiados, seguidos de alguns comentários, nas categorias principais:
Romance
1. O filho eterno, de Cristóvão Tezza (Record); 2. O sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras); 3. Antonio, de Beatriz Bracher (34)
O romance de Tezza, sobre os conflitos vividos por um homem que tem um filho com Síndrome de Down, cativou público e crítica, sobretudo pela sinceridade com que o narrador expõe suas inseguranças no difícil aprendizado de conviver amorosamente com o menino. O sol se põe em São Paulo é mais ambicioso, ao misturar diferentes cenários, tempos e linhas narrativas, mas também um pouco confuso.
Poesia
1. O outro lado, de Ivan Junqueira (Record); 2. O xadrez e as palavras, de Marcus Vinicius Quiroga (edição do autor); 3. Tarde, de Paulo Henriques Britto (Companhia das Letras)
Infância, religiosidade, amor e morte são os temas dos 36 poemas escritos entre 1998 e 2006 e reunidos pelo acadêmico Ivan Junqueira em O outro lado. Louvável a iniciativa da CBL de premiar também uma edição independente, o excelente O xadrez e as palavras.
Contos
1. Histórias do Rio Negro, de Vera do Val (Martins Fontes); 2. A prenda de seu Damaso, de Jorge Hausen (edição do autor); 3. Fichas de vitrola, de Jaime Prado Gouvêa (Record)
Paulista radicada na Amazônia, Vera do Val escreve contos movidos basicamente pelo deslumbramento diante da natureza e dos seres encantados que habitam a floresta. Compara o Rio Negro a um “macho fertilizador” que gera a selva, e coisas parecidas. Gosto mais da irona dos contos do pouco conhecido escritor mineiro Jaime Prado Gouvêa, da mesma geração de Sergio Sant’Anna e Luiz Villela.
Reportagem
1. 1808, de Laurentino Gomes (Planeta); 2. O massacre, de Eric Nepomuceno (Planeta); 3. Bar Bodega - Um crime de imprensa, de Carlos Dornelles (Globo).
O fenômeno de vendas 1808, de Laurentino Gomes, não é exatamente uma reportagem, e como estudo de História sobre a chegada da Corte ao Brasil, gosto mais do livro Império à deriva, de Patrick Wilcken, sobre o qual pouca gente falou. Mistérios do mercado.
Biografia
1. Rubem Braga - Um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho (Globo); 2. D.Pedro II, de José Murilo de Carvalho (Companhia das Letras); 3. O texto ou a vida, de Moacyr Scliar (Bertrand Brasil).
Marco Antonio de Carvalho passou 10 anos pesquisando a vida do cronista Rubem Braga e escreveu uma biografia seguindo a escola americana, rigorosa e cheia de detalhes (às vezes até em excesso). Falta um pouco de charme ao texto, contudo. Mas a simples ausência de Fernando Morais e Ruy Castro na categoria já é uma surpresa.
Retirado do blog Máquina de Escrever do Luciano Trigo.
Postado por Luciano Trigo em 23 de Setembro de 2008 às 15:59
A Câmara Brasileira do Livro divulgou há pouco os vencedores do Prêmio Jabuti - três em cada uma das 20 categorias. Mas os melhores livros do ano, em Ficção e Não-Ficção, só serão conhecidos na cerimônia de entrega das estatuetas, no dia 31 de outubro. O Jabuti 2008 tem uma premiação total de R$120 mil: R$3 mil para primeiro lugar de cada categoria, e R$30 mil para os dois melhores do ano. A comissão julgadora analisou 2.141 obras ao todo, e a lista divulgada hoje traz algumas surpresas. Seguem os títulos premiados, seguidos de alguns comentários, nas categorias principais:
Romance
1. O filho eterno, de Cristóvão Tezza (Record); 2. O sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras); 3. Antonio, de Beatriz Bracher (34)
O romance de Tezza, sobre os conflitos vividos por um homem que tem um filho com Síndrome de Down, cativou público e crítica, sobretudo pela sinceridade com que o narrador expõe suas inseguranças no difícil aprendizado de conviver amorosamente com o menino. O sol se põe em São Paulo é mais ambicioso, ao misturar diferentes cenários, tempos e linhas narrativas, mas também um pouco confuso.
Poesia
1. O outro lado, de Ivan Junqueira (Record); 2. O xadrez e as palavras, de Marcus Vinicius Quiroga (edição do autor); 3. Tarde, de Paulo Henriques Britto (Companhia das Letras)
Infância, religiosidade, amor e morte são os temas dos 36 poemas escritos entre 1998 e 2006 e reunidos pelo acadêmico Ivan Junqueira em O outro lado. Louvável a iniciativa da CBL de premiar também uma edição independente, o excelente O xadrez e as palavras.
Contos
1. Histórias do Rio Negro, de Vera do Val (Martins Fontes); 2. A prenda de seu Damaso, de Jorge Hausen (edição do autor); 3. Fichas de vitrola, de Jaime Prado Gouvêa (Record)
Paulista radicada na Amazônia, Vera do Val escreve contos movidos basicamente pelo deslumbramento diante da natureza e dos seres encantados que habitam a floresta. Compara o Rio Negro a um “macho fertilizador” que gera a selva, e coisas parecidas. Gosto mais da irona dos contos do pouco conhecido escritor mineiro Jaime Prado Gouvêa, da mesma geração de Sergio Sant’Anna e Luiz Villela.
Reportagem
1. 1808, de Laurentino Gomes (Planeta); 2. O massacre, de Eric Nepomuceno (Planeta); 3. Bar Bodega - Um crime de imprensa, de Carlos Dornelles (Globo).
O fenômeno de vendas 1808, de Laurentino Gomes, não é exatamente uma reportagem, e como estudo de História sobre a chegada da Corte ao Brasil, gosto mais do livro Império à deriva, de Patrick Wilcken, sobre o qual pouca gente falou. Mistérios do mercado.
Biografia
1. Rubem Braga - Um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho (Globo); 2. D.Pedro II, de José Murilo de Carvalho (Companhia das Letras); 3. O texto ou a vida, de Moacyr Scliar (Bertrand Brasil).
Marco Antonio de Carvalho passou 10 anos pesquisando a vida do cronista Rubem Braga e escreveu uma biografia seguindo a escola americana, rigorosa e cheia de detalhes (às vezes até em excesso). Falta um pouco de charme ao texto, contudo. Mas a simples ausência de Fernando Morais e Ruy Castro na categoria já é uma surpresa.
Retirado do blog Máquina de Escrever do Luciano Trigo.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Manuel Bandeira
O que eu adoro em ti
"O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si.
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Não é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento.
Graça aérea como o teu próprio
pensamento
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi,
E meu pai.
O que adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti
- lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida."
Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
"O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si.
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Não é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento.
Graça aérea como o teu próprio
pensamento
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi,
E meu pai.
O que adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti
- lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida."
Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Linguiça - Arnaldo Jabor
Para mulheres com mais de 30 anos.
A MAIS PURA VERDADE...
A medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30. Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar. Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, vai fazer alguma coisa que queira fazer...
E geralmente é alguma coisa bem mais interessante. Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer. Elas não ficam com quem não confiam. Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.
Você nunca precisa confessar seus pecados... elas sempre sabem... Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Mulheres mais velhas são diretas e honestas.
Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!
Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça... Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos! Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada e sexy, existe um careca, pançudo em bermudões amarelos bancando o bobo para uma garota de 19 anos...
Senhoras, eu peço desculpas! Para todos os homens que dizem: "Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?", aqui está a novidade para vocês: Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê?
"Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!". Nada mais justo!
Arnaldo Jabor
A MAIS PURA VERDADE...
A medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30. Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar. Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, vai fazer alguma coisa que queira fazer...
E geralmente é alguma coisa bem mais interessante. Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer. Elas não ficam com quem não confiam. Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.
Você nunca precisa confessar seus pecados... elas sempre sabem... Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Mulheres mais velhas são diretas e honestas.
Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!
Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça... Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos! Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada e sexy, existe um careca, pançudo em bermudões amarelos bancando o bobo para uma garota de 19 anos...
Senhoras, eu peço desculpas! Para todos os homens que dizem: "Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?", aqui está a novidade para vocês: Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê?
"Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!". Nada mais justo!
Arnaldo Jabor
Fernando Pessoa - A Falência do Amor e do Prazer
A Falencia do Prazer e do Amor - F. Pessoa
Texto longo mas vale a pena ler todo...
I
Beber a vida num trago, e nesse trago
Todas as sensações que a vida dá
Em todas as suas formas
[...]
Dantes eu queria
Embeber-me nas árvores, nas flores,
Sonhar nas rochas, mares, solidões.
Hoje não, fujo dessa idéia louca:
Tudo o que me aproxima do mistério
Confrange-me de horror. Quero hoje apenas
Sensações, muitas, muitas sensações,
De tudo, de todos neste mundo — humanas,
Não outras de delírios panteístas
Mas sim perpétuos choques de prazer
Mudando sempre,
Guardando forte a personalidade
Para sintetizá-las num sentir.
Quero
Afogar em bulício, em luz, em vozes,
— Tumultuárias [cousas] usuais —
o sentimento da desolação
Que me enche e me avassala.
Folgaria
De encher num dia, [...] num trago,
A medida dos vícios, inda mesmo
Que fosse condenado eternamente
Loucura! — ao tal inferno,
A um inferno real.
II
Alegres camponeses, raparigas alegres e ditosas,
Como me amarga n'alma essa alegria!
[...]
Nem em criança, ser predestinado,
Alegre eu era assim; no meu brincar,
Nas minhas ilusões da infância, eu punha
O mal da minha predestinação.
[...]
pouco importa!
Sofrer mais já não posso. Pois verei —
Eu, Fausto — aqueles que não sentem bem
Toda a extensão da felicidade,
Gozá-la?
[...]
Ferve a revolta em mim
Contra a causa da vida que me fez
Qual sou. E morrerei e deixarei
Neste inundo isto apenas: uma vida
Só prazer e só gozo, só amor,
Só inconsciência em estéril pensamento
E desprezo
[...]
Mas eu como entrarei naquela vida?
Eu não nasci para ela.
III
Melodia vaga
Para ti se eleva
E, chorando, leva
O teu coração,
Já de dor exausto,
E sonhando o afaga.
Os teus olhos, Fausto,
Não mais chorarão.
IV
Já não tenho alma. Dei-a à luz e ao ruído,
Só sinto um vácuo imenso onde alma tive...
Sou qualquer cousa de exterior apenas,
Consciente apenas de já nada ser...
Pertenço à estúrdia e à crápula da noite
Sou só delas, encontro-me disperso
Por cada grito bêbedo, por cada
Tom da luz no amplo bojo das botelhas.
Participo da névoa luminosa
Da orgia e da mentira do prazer.
E uma febre e um vácuo que há em mim
Confessa-me já morto... Palpo, em torno
Da minha alma, os fragmentos do meu ser
Com o hábito imortal de perscrutar-me.
V
Perdido
No labirinto de mim mesmo, já
Não sei qual o caminho que me leva
Dele à realidade humana e clara
Cheia de luz [...] alegremente
Mas com profunda pesadez em mim
Esta alegria, esta felicidade,
Que odeio e que me fere
[...]
Sinto como um insulto esta alegria
— Toda a alegria. Quase que sinto
Que rir, é rir — não de mim, mas, talvez,
Do meu ser.
VI
Toda a alegria me gela, me faz ódio.
Toda a tristeza alheia me aborrece,
Absorto eu na minha, maior muito que outras
[...]
Sinto em mim que a minha alma não tolera
Que seja alguém do que ela mais feliz;
O riso insulta-me, por existir;
Que eu sinto que não quero que alguém ria
Enquanto eu não puder. Se acaso tento
Sentir, querer, só quero incoerências
De indefinida aspiração imensa,
Que mesmo no seu sonho é desmedida ...
VII
tua inconsciência alegre é uma ofensa
para mim. O seu riso esbofeteia-me!
Tua alegria cospe-me na cara!
Oh, com que ódio carnal e espiritual
escarro sobre o que na alma humana
Fria festas e danças e cantigas...
[...]
Com que alegria minha, cairia
Um raio entre eles! Com que pronto
Criaria torturas para eles
Só por rirem a vida em minha cara
E atirarem à minha face pálida
O seu gozo em viver, a poeira — que arda
Em meus olhos — dos seus momentos ocos
De infância adulta e tudo na alegria!
[...]
Ó ódio, alegra-me tu sequer!
Faze-me ver a Morte. roendo a todos,
Põe-me ria vista os vermes trabalhando
Aqueles corpos!
[...]
VIII
Triste horror d'alma, não evoco já
Com grata saudade, tristemente,
Estas recordações da juventude!
Já não sinto saudades, como há pouco
Inda as sentia. Vai-se-me embotando,
Co'a força de pensar, contínuo e árido,
Toda a verdura e flor do pensamento.
Ao recordar agora, apenas sinto,
Como um cansaço só de ter vivido,
Desconsolado e mudo sentimento
De ter deixado atrás parte de mim,
E saudade de não ter saudade,
Saudades dos tempos em que as tinha.
Se a minha infância agora evoco, vejo
— Estranho! — como uma outra criatura
Que me era amiga, numa vaga
Objetivada subjetividade.
Ora a infância me lembra, como um sonho,
Ora a uma distância sem medida
No tempo, desfazendo-me em espanto;
E a sensação que sinto, ao perceber
Que vou passando, já tem mais de horror
Que tristeza [...]
E nada evoca, a não ser o mistério
Que o tempo tem fechado em sua mão.
Mas a dor é maior!
IX
Ó vestidas razões! Dor que é vergonha
E por vergonha de si-própria cala
A si-mesma o seu nexo! Ó vil e baixa
Porca animalidade do animal,
Que se diz metafísica por medo
A saber-se só baixa ...
[...]
Ó horror metafísico de ti!
Sentido pelo instinto, não na mente!
Vil metafísica do horror da carne,
Medo do amor...
Entre o teu corpo e o meu desejo dele
'Stá o abismo de seres consciente;
Pudesse-te eu amar sem que existisses
E possuir-te sem que ali estivesses!
Ah, que hábito recluso de pensar
Tão desterra o animal que ousar não ouso
O que a [besta mais vil] do mundo vil
Obra por maquinismo.
Tanto fechei à chave, aos olhos de outros,
Quanto em mim é instinto, que não sei
Com que gestos ou modos revelar
Um só instinto meu a olhos que olhem ...
[...]
Deus pessoal, deus gente, dos que crêem,
Existe, para que eu te possa odiar!
Quero alguém a quem possa a maldição
Lançar da minha vida que morri,
E não o vácuo só da noite muda
Que me não ouve.
Retirado do blog; princecristal.blogspot.com
Texto longo mas vale a pena ler todo...
I
Beber a vida num trago, e nesse trago
Todas as sensações que a vida dá
Em todas as suas formas
[...]
Dantes eu queria
Embeber-me nas árvores, nas flores,
Sonhar nas rochas, mares, solidões.
Hoje não, fujo dessa idéia louca:
Tudo o que me aproxima do mistério
Confrange-me de horror. Quero hoje apenas
Sensações, muitas, muitas sensações,
De tudo, de todos neste mundo — humanas,
Não outras de delírios panteístas
Mas sim perpétuos choques de prazer
Mudando sempre,
Guardando forte a personalidade
Para sintetizá-las num sentir.
Quero
Afogar em bulício, em luz, em vozes,
— Tumultuárias [cousas] usuais —
o sentimento da desolação
Que me enche e me avassala.
Folgaria
De encher num dia, [...] num trago,
A medida dos vícios, inda mesmo
Que fosse condenado eternamente
Loucura! — ao tal inferno,
A um inferno real.
II
Alegres camponeses, raparigas alegres e ditosas,
Como me amarga n'alma essa alegria!
[...]
Nem em criança, ser predestinado,
Alegre eu era assim; no meu brincar,
Nas minhas ilusões da infância, eu punha
O mal da minha predestinação.
[...]
pouco importa!
Sofrer mais já não posso. Pois verei —
Eu, Fausto — aqueles que não sentem bem
Toda a extensão da felicidade,
Gozá-la?
[...]
Ferve a revolta em mim
Contra a causa da vida que me fez
Qual sou. E morrerei e deixarei
Neste inundo isto apenas: uma vida
Só prazer e só gozo, só amor,
Só inconsciência em estéril pensamento
E desprezo
[...]
Mas eu como entrarei naquela vida?
Eu não nasci para ela.
III
Melodia vaga
Para ti se eleva
E, chorando, leva
O teu coração,
Já de dor exausto,
E sonhando o afaga.
Os teus olhos, Fausto,
Não mais chorarão.
IV
Já não tenho alma. Dei-a à luz e ao ruído,
Só sinto um vácuo imenso onde alma tive...
Sou qualquer cousa de exterior apenas,
Consciente apenas de já nada ser...
Pertenço à estúrdia e à crápula da noite
Sou só delas, encontro-me disperso
Por cada grito bêbedo, por cada
Tom da luz no amplo bojo das botelhas.
Participo da névoa luminosa
Da orgia e da mentira do prazer.
E uma febre e um vácuo que há em mim
Confessa-me já morto... Palpo, em torno
Da minha alma, os fragmentos do meu ser
Com o hábito imortal de perscrutar-me.
V
Perdido
No labirinto de mim mesmo, já
Não sei qual o caminho que me leva
Dele à realidade humana e clara
Cheia de luz [...] alegremente
Mas com profunda pesadez em mim
Esta alegria, esta felicidade,
Que odeio e que me fere
[...]
Sinto como um insulto esta alegria
— Toda a alegria. Quase que sinto
Que rir, é rir — não de mim, mas, talvez,
Do meu ser.
VI
Toda a alegria me gela, me faz ódio.
Toda a tristeza alheia me aborrece,
Absorto eu na minha, maior muito que outras
[...]
Sinto em mim que a minha alma não tolera
Que seja alguém do que ela mais feliz;
O riso insulta-me, por existir;
Que eu sinto que não quero que alguém ria
Enquanto eu não puder. Se acaso tento
Sentir, querer, só quero incoerências
De indefinida aspiração imensa,
Que mesmo no seu sonho é desmedida ...
VII
tua inconsciência alegre é uma ofensa
para mim. O seu riso esbofeteia-me!
Tua alegria cospe-me na cara!
Oh, com que ódio carnal e espiritual
escarro sobre o que na alma humana
Fria festas e danças e cantigas...
[...]
Com que alegria minha, cairia
Um raio entre eles! Com que pronto
Criaria torturas para eles
Só por rirem a vida em minha cara
E atirarem à minha face pálida
O seu gozo em viver, a poeira — que arda
Em meus olhos — dos seus momentos ocos
De infância adulta e tudo na alegria!
[...]
Ó ódio, alegra-me tu sequer!
Faze-me ver a Morte. roendo a todos,
Põe-me ria vista os vermes trabalhando
Aqueles corpos!
[...]
VIII
Triste horror d'alma, não evoco já
Com grata saudade, tristemente,
Estas recordações da juventude!
Já não sinto saudades, como há pouco
Inda as sentia. Vai-se-me embotando,
Co'a força de pensar, contínuo e árido,
Toda a verdura e flor do pensamento.
Ao recordar agora, apenas sinto,
Como um cansaço só de ter vivido,
Desconsolado e mudo sentimento
De ter deixado atrás parte de mim,
E saudade de não ter saudade,
Saudades dos tempos em que as tinha.
Se a minha infância agora evoco, vejo
— Estranho! — como uma outra criatura
Que me era amiga, numa vaga
Objetivada subjetividade.
Ora a infância me lembra, como um sonho,
Ora a uma distância sem medida
No tempo, desfazendo-me em espanto;
E a sensação que sinto, ao perceber
Que vou passando, já tem mais de horror
Que tristeza [...]
E nada evoca, a não ser o mistério
Que o tempo tem fechado em sua mão.
Mas a dor é maior!
IX
Ó vestidas razões! Dor que é vergonha
E por vergonha de si-própria cala
A si-mesma o seu nexo! Ó vil e baixa
Porca animalidade do animal,
Que se diz metafísica por medo
A saber-se só baixa ...
[...]
Ó horror metafísico de ti!
Sentido pelo instinto, não na mente!
Vil metafísica do horror da carne,
Medo do amor...
Entre o teu corpo e o meu desejo dele
'Stá o abismo de seres consciente;
Pudesse-te eu amar sem que existisses
E possuir-te sem que ali estivesses!
Ah, que hábito recluso de pensar
Tão desterra o animal que ousar não ouso
O que a [besta mais vil] do mundo vil
Obra por maquinismo.
Tanto fechei à chave, aos olhos de outros,
Quanto em mim é instinto, que não sei
Com que gestos ou modos revelar
Um só instinto meu a olhos que olhem ...
[...]
Deus pessoal, deus gente, dos que crêem,
Existe, para que eu te possa odiar!
Quero alguém a quem possa a maldição
Lançar da minha vida que morri,
E não o vácuo só da noite muda
Que me não ouve.
Retirado do blog; princecristal.blogspot.com
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Sertanejo Pop
Sertanejo Pop? Vocês já ouviram falar nisso? Sábado me apresentaram a esse novo gênero musical que eu não conhecia e é a febre do momento. Trata-se da dupla Victor e Léo. Gente, parece uma epidemia. Já não aguentava mais ouvir. Me disseram que era uma versão pop do sertanejo, assim como tem a versão pop do forró. É um saco!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
O.G. Rego - A Viagem Incompleta
Li ,hoje, no Jornal Meio Norte, que o cineasta Douglas Machado está produzindo um documentário sobre o universo literário de O.G.Rego de Carvalho,tendo como referencial a "Fortuna Crítica do escritor que será revista e analisada por escritores e intelectuais como Cineas santos, Paulo Machado, Nilson Ferreira, Assis Brasil e Luiz Romero." Achei meio exagerado o nome do Romero nesta lista (Intelectual? ou escritor??). Senti falta do nome do Aírton Sampaio nesta lista que, a meu ver, tem uma contribuição maior à fortuna crítica do autor e pode integrar a lista de intelectuais e escritores.
domingo, 21 de setembro de 2008
"Minha Pátria é a Lingua Portuguesa"
"Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
"Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."
(Fernando Pessoa, Livro do desassossego)
"Hoje é pecado não falar português errado. O mau português virou língua oficial. Ai de quem se meter a besta e conjugar os verbos corretamente; ai de quem, mesmo que por acaso, acertar todos os plurais; ai de quem, na maior cara de pau, conseguir se entender com todas as concordâncias - e ai daquele que, num acesso de loucura, cometer um texto ou uma fala em português impecável (!). [Vai ter de, no mínimo, lavar a boca com sabão. Vai ter de largar a mão de ser pedante, arrogante, orgulhoso e aprender a falar, de uma vez por todas, que nem todo mundo fala! Escrever como a maioria escreve!! E não como essa minoria metida a besta, que se acha "dona do mundo"!!! Vocês não estão como nada, viu? Só porque "foram para escola"?? Só porque "estudaram"??? Acham que isso é grande coisa, é???? Só porque "tiveram condições"????? Num país como o nosso, vocês deviam era ter vergonha! Vergonha!! Vergonha na cara!!! Vergonha, tá ouvindo? Vergonha desse saber todo! Onde já se viu!! Estudar, aprender e saber!!! Onde já se viu isso!!!!]"
Júlio Daio Borges
retirado do site: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=786
"Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."
(Fernando Pessoa, Livro do desassossego)
"Hoje é pecado não falar português errado. O mau português virou língua oficial. Ai de quem se meter a besta e conjugar os verbos corretamente; ai de quem, mesmo que por acaso, acertar todos os plurais; ai de quem, na maior cara de pau, conseguir se entender com todas as concordâncias - e ai daquele que, num acesso de loucura, cometer um texto ou uma fala em português impecável (!). [Vai ter de, no mínimo, lavar a boca com sabão. Vai ter de largar a mão de ser pedante, arrogante, orgulhoso e aprender a falar, de uma vez por todas, que nem todo mundo fala! Escrever como a maioria escreve!! E não como essa minoria metida a besta, que se acha "dona do mundo"!!! Vocês não estão como nada, viu? Só porque "foram para escola"?? Só porque "estudaram"??? Acham que isso é grande coisa, é???? Só porque "tiveram condições"????? Num país como o nosso, vocês deviam era ter vergonha! Vergonha!! Vergonha na cara!!! Vergonha, tá ouvindo? Vergonha desse saber todo! Onde já se viu!! Estudar, aprender e saber!!! Onde já se viu isso!!!!]"
Júlio Daio Borges
retirado do site: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=786
Para quem ama a vida
Esta mensagem foi enviada pra mim hoje pela Ana Boni. Obrigada! Quero que todos vocês a recebam também. Eu amo a vida e sou feliz. Pra vocês, todo o meu amor.
"Marcel Proust mostrou em Um amor de Swan , o que ele chamava de intermitências do coração, que uma pessoa pode se apaixonar, esquecer-se da pessoa desejada e voltar a amá-la. Neste romance o herói sofre durante anos de ciúmes por causa de uma mulher e quando ele não está mais apaixonado, ele diz: “mas eu sofri tanto por uma mulher que não me amava e que nem era meu tipo”. Então, podemos compreender a complexidade humana através da literatura, enquanto que a poesia nos ensina a qualidade poética da vida, essa qualidade que nós sentimos diante de fatos da realidade. Como, por exemplo, os espetáculos da natureza: o céu de Brasília que é tão bonito. É essa poesia que nos dá força e nos ensina a qualidade poética da vida, porque ela não é somente uma prosa que se deve fazer por obrigação. A vida é viver poeticamente na paixão, no entusiasmo." Edgar Morin
Para Eulália
Amiga, fico torcendo por você na sua viagem a Portugal. como eu gostaria de ter ido! Você sabe, não deu. Trabalho, trabalho...Veja tudo, vá aos museus, à casa de Fernando Pessoa, Fátima... Ah, aproveite a volta em Paris. Au revoir!
"Marcel Proust mostrou em Um amor de Swan , o que ele chamava de intermitências do coração, que uma pessoa pode se apaixonar, esquecer-se da pessoa desejada e voltar a amá-la. Neste romance o herói sofre durante anos de ciúmes por causa de uma mulher e quando ele não está mais apaixonado, ele diz: “mas eu sofri tanto por uma mulher que não me amava e que nem era meu tipo”. Então, podemos compreender a complexidade humana através da literatura, enquanto que a poesia nos ensina a qualidade poética da vida, essa qualidade que nós sentimos diante de fatos da realidade. Como, por exemplo, os espetáculos da natureza: o céu de Brasília que é tão bonito. É essa poesia que nos dá força e nos ensina a qualidade poética da vida, porque ela não é somente uma prosa que se deve fazer por obrigação. A vida é viver poeticamente na paixão, no entusiasmo." Edgar Morin
Para Eulália
Amiga, fico torcendo por você na sua viagem a Portugal. como eu gostaria de ter ido! Você sabe, não deu. Trabalho, trabalho...Veja tudo, vá aos museus, à casa de Fernando Pessoa, Fátima... Ah, aproveite a volta em Paris. Au revoir!
sábado, 20 de setembro de 2008
Deonísio - Goethe e Barrabás
Entrevista: Deonísio da Silva
Postado por Luciano Trigo em 18 de Setembro de 2008 às 14:21
Deonísio da Silva lançou recentemente seu sétimo romance, Goethe e Barrabás (editora Novo Século), a história de um professor que encontra no amor pela jovem Salomé uma última chance de redenção, após ter feito - ou ter sido vítima de - escolhas erradas na vida.
Deonísio da Silva (Siderópolis, SC, 1948) hoje vive no Rio de Janeiro, onde leciona na Universidade Estácio de Sá. Ele sempre conciliou a literatura com a docência universitária e uma ativa colaboração na imprensa. É doutor em Letras pela USP, com uma tese sobre os livros proibidos no Brasil no período pós-64, e autor de mais de 30 obras, entre eles mulher silenciosa (1981); A cidade dos padres (1986); Orelhas de aluguel (1988); Avante, soldados: para trás (1992), prêmio internacional Casa de las Américas; Teresa (1997) e Os guerreiros do campo (2000); além de estudos sobre etimologia, como De onde vêm as palavras (1997).
G1: Foram oito anos escrevendo Goethe e Barrabás. Por que tanto tempo? E de que maneira este livro se distingue de seus sete romances anteriores?
DEONISIO DA SILVA: Ao me transferir de São Carlos para o Rio de Janeiro, as mudanças foram muitas. Morando no interior de São Paulo, eu ia de minha casa à universidade, ou a qualquer lugar da cidade, em 10 minutos. No Rio, dirigindo o curso de Letras da Universidade Estácio de Sá, que está em 18 campi, eu levo um bom tempo no trânsito…Tem sobrado menos tempo para escrever. Além do mais, eu gosto muito de ler. E, à medida que lia sobre Goethe, autor de minha predileção, por temas e problemas, e especialmente por suas sutis complexidades de narrador e poeta, eu ia me encantando por muitos outros assuntos. A maior diferença entre Goethe e Barrabás e meus outros romances é que nele eu cumpri, com menos amarras, um conceito que tenho: o escritor é a lenha de sua própria fogueira. Como disse Mário de Andrade num poema, há uma gota de sangue em cada dia que passa, em cada página que escrevemos. Uma ou muitas. Meus antigos colegas de seminário me dizem que o final de Goethe e Barrabás anuncia um iminente governo autoritário no Brasil. Eu acho que as tentativas têm sido muitas, e algumas já pegaram, como essa mania de bisbilhotarem todo mundo, protegerem culpados notórios e manterem nos cárceres ou perseguirem gente comprovadamente inocente ou cujas culpas não foram provadas. O Brasil anda muito desarrumado. Goethe dizia que preferia a injustiça à desordem. É uma frase que me faz pensar muito.
G1: Escrever Goethe e Barrabás exigiu muita pesquisa?
DEONÍSIO: Quanto ao cuidado com a pesquisa histórica, no caso biográfica, Goethe e Barrabás não tem o tom que alguns consideram pernóstico em A Cidade dos Padres e Teresa D’Ávila. Já outros romances meus, como A Mulher Silenciosa, Orelhas de Aluguel e Os Guerreiros do Campo, não podem ser classificados como históricos, e as pesquisas ali são de sentimento, escandalizado que estava eu com o que acontecia no Brasil, naqueles anos em que eu os escrevia. Avante, Soldados: Para Trás, alcançou um tom raramente visto nos anteriores. Tenho especial carinho por este romance. Depois de ser publicado em Cuba e em Portugal, sairá na Itália este ano, e minha mãe era filha de italianos. Avante é baseado na Retirada de Laguna, episódio trágico da Guerra do Paraguai, que, não fora o escritor francês Visconde de Taunay estar na expedição, teria se perdido como se perdem tantas coisas no Brasil.
G1: O tema do livro são as escolhas erradas que fazemos ao longo da vida. Segundo que critérios uma escolha deve ser considerada certa ou errada?
DEONÍSIO: É melhor ouvir seu coração. Ele se engana menos do que a sua cabeça. Conversei muito com a escritora e psicanalista Betty Milan quando escrevia Goethe e Barrabás. Juntos discutíamos valores que são muito caros ao Brasil, como a hipocrisia, a aparência e o papo nubloso, que entre nós substituem a franqueza, a essência e a conversa clara. A impressão que damos é que nós, brasileiros, gostamos de ser enganados. É só dar uma rápida olhada em quem escolhemos para os cargos, para ministros, para autoridades. E não me refiro apenas à política.
G1: O personagem Barrabás é ex-seminarista, escritor e professor universitário, como você. Em que medida o livro é autobiográfico? Fale também sobre os elementos da trama que foram inspirados na sua família.
DEONÍSIO: Barrabás não sou eu, não, mas, para quem me conhece, é divertido o exercício de identificar em quê ele se parece comigo. Sou homem de poucos amigos, e todos se parecem com Barrabás, têm qualidades que Barrabás também tem, como a solidariedade na hora adversa e a repulsa total a quem nos abandonou quando mais precisamos da pessoa em quem confiávamos. Sabe o que você mais vê hoje no Brasil? Judas Iscariotes! Estou vendo muita gente vendendo amigos, ou ex-amigos, por 30 dinheiros. Ou por mais, ou por menos. O principal negócio, porém, vem sendo a compra e venda das almas. Quanto à presença de minha família, acho que se deve a um traço comum a muitos escritores, nada singular. Meu avô materno, italiano, era grande narrador, licencioso e libidinoso. Acreditava no sexo, nos prazeres, não no amor, que, como sabemos, é uma invenção de culturas clássicas, com a de gregos e romanos. Antes triunfava apenas o cio. Meu avô era pré-tudo. Já minha avó materna acreditou no amor, contrariou o pai e casou com o homem por quem se apaixonara, dando um prejuízo danado a toda a “árvore ginecológica”, expressão que acho melhor do que “árvore genealógica”, por ser mais condizente com o que designa. Ouvi muitas histórias da boca de minha avó, mas com o tempo tudo se misturou com minha imaginação, o que é bom para quem tece o bordado da ficção, do inventado.
G1: Por que você acha que, no Brasil das últimas décadas, tantas pessoas venderam a alma ao diabo, como o Mefistófeles de Goethe? Como você analisa isso?
DEONÍSIO: Sem poder fracassar, Mefistófeles volta ao Diabo, queixando-se de não conseguir dissipar tudo o que ganhou com a venda da alma, e se dá aquele diálogo apavorante: “Já experimentou a caridade?”. Não no sentido grego, sinônimo de amor, mas no latino, corrompido por São Jerônimo na versão vulgar da Bíblia, que é atender aos necessitados de bens materiais. Fiquemos tranqüilos. Nem quem compra nem quem vende almas se dá bem. Cedo ou tarde tudo vem às claras e as operações aparecem. No Brasil, porém, este ocultamento está durando muito. Surgem cadáveres, e não sabemos se são de quem comprou ou de quem vendeu.
G1: O povo escolheu libertar Barrabás e crucificar Cristo. As escolhas erradas podem ser individuais, na relação amorosa, mas também coletivas, na vida política. Você já disse que vivemos o mito de que a democracia é o repositário de todos os bens. Mas existe alternativa?
DEONÍSIO: Pois é, governos autoritários fizeram muito bem ao Brasil, como o do Marquês de Pombal nos tempos monárquicos, meu herói em A Cidade dos Padres. Lecionei 22 anos numa universidade federal, para onde entrei por concurso público durante a ditadura militar. E te digo: nenhum governo da ditadura militar pós-64 abandonou tanto a universidade pública como os dois governos democráticos de Fernando Henrique Cardoso, também professor universitário. Como disse Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes. O ditador Getúlio Vargas modernizou mais o Brasil do que o democrata JK. Mas eu não sou doido de achar que existe alternativa à democracia. Isso deve ser perguntado ao cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que, aliás, lançou um romance muito bonito, intitulado Acervo de maldizer.
G1: Os nomes do casal de protagonistas, Barrabás e Salomé, foram inspirados em dois personagens trágicos. Como um estudioso da etimologia, ciente da importância das palavras, em que medida você acha que um nome influencia o destino de uma pessoa?
DEONÍSIO: Pergunta sutil, mas eu sou Deonísio. Dioniso é o outro, e pode ser grafado com “y”, jamais com “e”. Há muitas curiosidades quanto a isso, mas acho que, já na escolha do nome do rebento ou da da pimpolha, emergem motivos inconscientes, arquétipos, algumas vinculações com o destino. Como se sabe, ao contrário do que apregoam os credos democráticos, não nascemos iguais, nem perante a vida e muito menos perante as leis. A Igreja, que é sábia, muda o nome de homens e mulheres que entram para ordens religiosas. Pois se mudou o destino, o modo de viver…
G1: Por que muitas mulheres, como a personagem Salomé, escolhem mal os homens que amam? E por que você diz que Satanás detesta fazer negócio com mulheres?
DEONÍSIO: Pois é, a mulher apaixonada faz escolhas insensatas, mas se as fizer sóbria dessa embriaguez do amor e da paixão, não escolherá homem algum! Nós somos de outra espécie, cara! Mamão, andorinha, homem, chinchila, mulher, todos diferentes, todos de outras espécies. Satanás sempre é enganado por mulheres. Lilith, a Lua Negra, a primeira mulher de Adão, depois substituída por Eva, em divórcio litigioso, botou chifres em Lúcifer e o novo marido numa fria, num abismo, num precipício danado. Foi o primeiro negócio de Satanás com mulher! Depois veio Nossa Senhora e arrebentou com ele, atrapalhando muito o negócio de compra de almas. Teresa D’Ávila, então, goleou Satanás. Ela pecou muito, mas ele perdeu.
G1: Você foi seminarista e já disse que hoje há missas tão modernas que “só falta a Flávia Alessandra dançar em alguma coluna da nave da igreja”. Você acha que a igreja católica está em crise?
DEONÍSIO: Está em crise, talvez em coma já. Mas Bento XVI e suas equipes no mundo inteiro - a Igreja é multinacional, como sabemos - estão trabalhando muito, e vamos nos recuperar. A principal carência do mundo hoje é de recolhimento, de meditação. Igrejas e templos foram transformados em outra coisa, em silos, depósitos. Onde você busca a transcendência? Nos templos e igrejas? Muito raro que lá você sinta isso. No cinema e no teatro, na leitura, nos museus… Mas nas igrejas? Acho que não.
G1: Como você analisa a situação da literatura brasileira hoje? E o mercado editorial? E a imprensa pautada pelas listas de mais vendidos?
DEONÍSIO: A literatura brasileira é riquíssima. O mercado editorial está bom, mas está concentrado, como tudo no Brasil, em mão de poucos. Já a imprensa, a mídia, está uma vergonha danada em termos de literatura. Ela faz apagamentos que nenhuma ditadura militar alcançou. O livro proibido ainda existe, mas o apagado pela mídia sobrevive como sobrevivem as crianças a altas taxas de mortalidade infantil. Freqüentemente leio livros excelentes, que a mídia não viu, não registrou. E evito com muita freqüência ou largo livros que comecei a ler e não pude continuar, de tão chatos e mal escritos, apesar de elogiados.
Retirado do blog http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever/
Em terra de cegos
Postado por Luciano Trigo em 28 de Agosto de 2008

Saramago para Fernando "estou tão feliz por ter visto esse filme… Como eu estava quando acabei de escrever o livro”, diz José Saramago, com a voz embargada, ao cineasta Fernando Meirelles, após uma projeção privada do filme Ensaio sobre a cegueira [Blindness]. “Você não sabe como isso me deixa feliz”, responde Fernando, dando em seguida um beijo na careca do escritor, Prêmio Nobel de Literatura em 1998 (o primeiro concedido a um escritor de língua portuguesa) e autor dos consagrados Memorial do convento, A jangada de pedra (que também já foi adaptado para o cinema) e O Evangelho segundo Jesus Cristo.
Gravada de forma amadora (e talvez clandestina) a cena, acessível a qualquer pessoa que acessar o Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY), é comovente: mostra a comunhão de dois artistas e de duas linguagens, o reconhecimento da possibilidade de diálogo verdadeiro entre o cinema e a literatura. Mas não vou falar aqui do filme, que está sendo lançado com grande estardalhaço no Brasil, com direito á presença da atriz Julianne Moore. Vou falar da literatura de José Saramago.
A leitura dos romances de Saramago não é fácil. Seus períodos longos, seu uso nada convencional da pontuação (há páginas inteiras sem ponto final, pródigas em vírgulas, e alguns parágrafos têm a extensão de um capítulo), sua incorporação dos diálogos ao corpo do texto, fundindo-se aos pensamentos, sem travessões, seu estilo deliberadamente reiterativo - tudo isso resulta em estruturas narrativas complexas, pautadas pelo fluxo da consciência, que exigem do leitor uma disposição incomum, nada passiva. A carreira de Saramago é peculiar. Depois de publicar Terra do pecado, em 1947 ele passou trinta anos sem escrever romances – até lançar Manual de pintura e caligrafia, quando já tinha 53 anos. Seguiram-se Levantado do chão (1982) e Memorial do convento, o livro que conquistou definitivamente a atenção de leitores e críticos, ao misturar fatos históricos reais com personagens inventados. Depois vieram O ano da morte de Ricardo Reis (1984) – para mim seu melhor romance, sobre as andanças do heterônimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A jangada de pedra (1986), no qual a Península Ibérica se desprende do resto da Europa e navega pelo Atlântico; História do cerco de Lisboa (1989) e o polêmico O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991) – uma releitura humanizadora do livro sagrado. De lá para cá sua ficção ganhou um tom mais fabular, sem laços diretos com a História, mas nem por isso menos preocupados com os rumos da sociedade contemporânea. É o caso de Ensaio sobre a cegueira (1995) e A caverna (2001). Escrever, para Saramago, é uma forma de interrogar o mundo, de pensar criticamente sobre as coisas. Ensaio sobre a cegueira nasceu de uma experiência pessoal: um descolamento de retina, que o escritor sofreu em 1991. O romance trata de uma epidemia de cegueira repentina que assola a população de uma cidade não identificada – metáfora da cegueira geral e infinita dos seres humanos. Em quarentena num manicômio abandonado, os cegos se perceberão reduzidos à sua essência animal. Do lado de fora, aqueles que enxergam se transformam em autoridades, com o poder sobre a vida e a morte dos demais. Do lado de dentro, os cegos confinados se deixam dominar pelos instintos mais primitivos, num verdadeiro inferno. A premissa filosófica é que as pessoas só se tornam realmente quem elas são quando não podem mais fazer julgamentos a partir do que vêem.São páginas de constante aflição, que trazem uma mensagem nada otimista: o ser humano não é bom, e precisamos reconhecer isso. Numa situação desesperadora, a “treva branca” se espalha rapidamente pela cidade, até só sobrar uma pessoa que ainda enxerga: a mulher do médico (interpretada no filme por Julianne Moore), que se finge de cega, para poder acompanhar o marido na quarentena. É ela quem preserva um mínimo de ordem e de valores humanos em meio à cegueira absoluta, é nela que reside um fiapo de resistência e de esperança contra a desagregação social e moral absoluta. Saramago é um pessimista: “Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus”, ele já escreveu. Para o escritor, a humanidade – leia-se a civilização ocidental capitalista – vive tempos sombrios, perdida num caos labiríntico, marcado pela miséria e pela injustiça, pela crueldade e pelo egoísmo, pelo medo e pela culpa. Seu objetivo é chamar a atenção do leitor para a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Mas em que consistiria essa responsabilidade? Não somente em registrar e ter consciência do horror que nos cerca, mas, sobretudo, em ser capaz de conservar a lucidez, resgatar a solidariedade. Ser capaz de amar mesmo sob as mais terríveis pressões - tarefas que ele compartilha com os leitores. O paralelo evidente é com o romance A peste, de Albert Camus, já que nos dois livros uma epidemia misteriosa provoca o desmoronamento completo da sociedade, de tudo aquilo que se associa à idéia de civilização, ao mesmo tempo em que traz à tona as facetas mais primitivas da condição humana. Ensaio sobre a cegueira é o romance mais desagradável de Saramago: há um desfile brutal e incessante de atrocidades, dejetos, maus cheiros, estupros e outros atos de violência, que acompanham o processo de desumanização dos personagens. Definitivamente, não é um livro para todos os gostos."
Por Luciano Trigo
Postado por Luciano Trigo em 18 de Setembro de 2008 às 14:21
Deonísio da Silva lançou recentemente seu sétimo romance, Goethe e Barrabás (editora Novo Século), a história de um professor que encontra no amor pela jovem Salomé uma última chance de redenção, após ter feito - ou ter sido vítima de - escolhas erradas na vida.
Deonísio da Silva (Siderópolis, SC, 1948) hoje vive no Rio de Janeiro, onde leciona na Universidade Estácio de Sá. Ele sempre conciliou a literatura com a docência universitária e uma ativa colaboração na imprensa. É doutor em Letras pela USP, com uma tese sobre os livros proibidos no Brasil no período pós-64, e autor de mais de 30 obras, entre eles mulher silenciosa (1981); A cidade dos padres (1986); Orelhas de aluguel (1988); Avante, soldados: para trás (1992), prêmio internacional Casa de las Américas; Teresa (1997) e Os guerreiros do campo (2000); além de estudos sobre etimologia, como De onde vêm as palavras (1997).
G1: Foram oito anos escrevendo Goethe e Barrabás. Por que tanto tempo? E de que maneira este livro se distingue de seus sete romances anteriores?
DEONISIO DA SILVA: Ao me transferir de São Carlos para o Rio de Janeiro, as mudanças foram muitas. Morando no interior de São Paulo, eu ia de minha casa à universidade, ou a qualquer lugar da cidade, em 10 minutos. No Rio, dirigindo o curso de Letras da Universidade Estácio de Sá, que está em 18 campi, eu levo um bom tempo no trânsito…Tem sobrado menos tempo para escrever. Além do mais, eu gosto muito de ler. E, à medida que lia sobre Goethe, autor de minha predileção, por temas e problemas, e especialmente por suas sutis complexidades de narrador e poeta, eu ia me encantando por muitos outros assuntos. A maior diferença entre Goethe e Barrabás e meus outros romances é que nele eu cumpri, com menos amarras, um conceito que tenho: o escritor é a lenha de sua própria fogueira. Como disse Mário de Andrade num poema, há uma gota de sangue em cada dia que passa, em cada página que escrevemos. Uma ou muitas. Meus antigos colegas de seminário me dizem que o final de Goethe e Barrabás anuncia um iminente governo autoritário no Brasil. Eu acho que as tentativas têm sido muitas, e algumas já pegaram, como essa mania de bisbilhotarem todo mundo, protegerem culpados notórios e manterem nos cárceres ou perseguirem gente comprovadamente inocente ou cujas culpas não foram provadas. O Brasil anda muito desarrumado. Goethe dizia que preferia a injustiça à desordem. É uma frase que me faz pensar muito.
G1: Escrever Goethe e Barrabás exigiu muita pesquisa?
DEONÍSIO: Quanto ao cuidado com a pesquisa histórica, no caso biográfica, Goethe e Barrabás não tem o tom que alguns consideram pernóstico em A Cidade dos Padres e Teresa D’Ávila. Já outros romances meus, como A Mulher Silenciosa, Orelhas de Aluguel e Os Guerreiros do Campo, não podem ser classificados como históricos, e as pesquisas ali são de sentimento, escandalizado que estava eu com o que acontecia no Brasil, naqueles anos em que eu os escrevia. Avante, Soldados: Para Trás, alcançou um tom raramente visto nos anteriores. Tenho especial carinho por este romance. Depois de ser publicado em Cuba e em Portugal, sairá na Itália este ano, e minha mãe era filha de italianos. Avante é baseado na Retirada de Laguna, episódio trágico da Guerra do Paraguai, que, não fora o escritor francês Visconde de Taunay estar na expedição, teria se perdido como se perdem tantas coisas no Brasil.
G1: O tema do livro são as escolhas erradas que fazemos ao longo da vida. Segundo que critérios uma escolha deve ser considerada certa ou errada?
DEONÍSIO: É melhor ouvir seu coração. Ele se engana menos do que a sua cabeça. Conversei muito com a escritora e psicanalista Betty Milan quando escrevia Goethe e Barrabás. Juntos discutíamos valores que são muito caros ao Brasil, como a hipocrisia, a aparência e o papo nubloso, que entre nós substituem a franqueza, a essência e a conversa clara. A impressão que damos é que nós, brasileiros, gostamos de ser enganados. É só dar uma rápida olhada em quem escolhemos para os cargos, para ministros, para autoridades. E não me refiro apenas à política.
G1: O personagem Barrabás é ex-seminarista, escritor e professor universitário, como você. Em que medida o livro é autobiográfico? Fale também sobre os elementos da trama que foram inspirados na sua família.
DEONÍSIO: Barrabás não sou eu, não, mas, para quem me conhece, é divertido o exercício de identificar em quê ele se parece comigo. Sou homem de poucos amigos, e todos se parecem com Barrabás, têm qualidades que Barrabás também tem, como a solidariedade na hora adversa e a repulsa total a quem nos abandonou quando mais precisamos da pessoa em quem confiávamos. Sabe o que você mais vê hoje no Brasil? Judas Iscariotes! Estou vendo muita gente vendendo amigos, ou ex-amigos, por 30 dinheiros. Ou por mais, ou por menos. O principal negócio, porém, vem sendo a compra e venda das almas. Quanto à presença de minha família, acho que se deve a um traço comum a muitos escritores, nada singular. Meu avô materno, italiano, era grande narrador, licencioso e libidinoso. Acreditava no sexo, nos prazeres, não no amor, que, como sabemos, é uma invenção de culturas clássicas, com a de gregos e romanos. Antes triunfava apenas o cio. Meu avô era pré-tudo. Já minha avó materna acreditou no amor, contrariou o pai e casou com o homem por quem se apaixonara, dando um prejuízo danado a toda a “árvore ginecológica”, expressão que acho melhor do que “árvore genealógica”, por ser mais condizente com o que designa. Ouvi muitas histórias da boca de minha avó, mas com o tempo tudo se misturou com minha imaginação, o que é bom para quem tece o bordado da ficção, do inventado.
G1: Por que você acha que, no Brasil das últimas décadas, tantas pessoas venderam a alma ao diabo, como o Mefistófeles de Goethe? Como você analisa isso?
DEONÍSIO: Sem poder fracassar, Mefistófeles volta ao Diabo, queixando-se de não conseguir dissipar tudo o que ganhou com a venda da alma, e se dá aquele diálogo apavorante: “Já experimentou a caridade?”. Não no sentido grego, sinônimo de amor, mas no latino, corrompido por São Jerônimo na versão vulgar da Bíblia, que é atender aos necessitados de bens materiais. Fiquemos tranqüilos. Nem quem compra nem quem vende almas se dá bem. Cedo ou tarde tudo vem às claras e as operações aparecem. No Brasil, porém, este ocultamento está durando muito. Surgem cadáveres, e não sabemos se são de quem comprou ou de quem vendeu.
G1: O povo escolheu libertar Barrabás e crucificar Cristo. As escolhas erradas podem ser individuais, na relação amorosa, mas também coletivas, na vida política. Você já disse que vivemos o mito de que a democracia é o repositário de todos os bens. Mas existe alternativa?
DEONÍSIO: Pois é, governos autoritários fizeram muito bem ao Brasil, como o do Marquês de Pombal nos tempos monárquicos, meu herói em A Cidade dos Padres. Lecionei 22 anos numa universidade federal, para onde entrei por concurso público durante a ditadura militar. E te digo: nenhum governo da ditadura militar pós-64 abandonou tanto a universidade pública como os dois governos democráticos de Fernando Henrique Cardoso, também professor universitário. Como disse Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes. O ditador Getúlio Vargas modernizou mais o Brasil do que o democrata JK. Mas eu não sou doido de achar que existe alternativa à democracia. Isso deve ser perguntado ao cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que, aliás, lançou um romance muito bonito, intitulado Acervo de maldizer.
G1: Os nomes do casal de protagonistas, Barrabás e Salomé, foram inspirados em dois personagens trágicos. Como um estudioso da etimologia, ciente da importância das palavras, em que medida você acha que um nome influencia o destino de uma pessoa?
DEONÍSIO: Pergunta sutil, mas eu sou Deonísio. Dioniso é o outro, e pode ser grafado com “y”, jamais com “e”. Há muitas curiosidades quanto a isso, mas acho que, já na escolha do nome do rebento ou da da pimpolha, emergem motivos inconscientes, arquétipos, algumas vinculações com o destino. Como se sabe, ao contrário do que apregoam os credos democráticos, não nascemos iguais, nem perante a vida e muito menos perante as leis. A Igreja, que é sábia, muda o nome de homens e mulheres que entram para ordens religiosas. Pois se mudou o destino, o modo de viver…
G1: Por que muitas mulheres, como a personagem Salomé, escolhem mal os homens que amam? E por que você diz que Satanás detesta fazer negócio com mulheres?
DEONÍSIO: Pois é, a mulher apaixonada faz escolhas insensatas, mas se as fizer sóbria dessa embriaguez do amor e da paixão, não escolherá homem algum! Nós somos de outra espécie, cara! Mamão, andorinha, homem, chinchila, mulher, todos diferentes, todos de outras espécies. Satanás sempre é enganado por mulheres. Lilith, a Lua Negra, a primeira mulher de Adão, depois substituída por Eva, em divórcio litigioso, botou chifres em Lúcifer e o novo marido numa fria, num abismo, num precipício danado. Foi o primeiro negócio de Satanás com mulher! Depois veio Nossa Senhora e arrebentou com ele, atrapalhando muito o negócio de compra de almas. Teresa D’Ávila, então, goleou Satanás. Ela pecou muito, mas ele perdeu.
G1: Você foi seminarista e já disse que hoje há missas tão modernas que “só falta a Flávia Alessandra dançar em alguma coluna da nave da igreja”. Você acha que a igreja católica está em crise?
DEONÍSIO: Está em crise, talvez em coma já. Mas Bento XVI e suas equipes no mundo inteiro - a Igreja é multinacional, como sabemos - estão trabalhando muito, e vamos nos recuperar. A principal carência do mundo hoje é de recolhimento, de meditação. Igrejas e templos foram transformados em outra coisa, em silos, depósitos. Onde você busca a transcendência? Nos templos e igrejas? Muito raro que lá você sinta isso. No cinema e no teatro, na leitura, nos museus… Mas nas igrejas? Acho que não.
G1: Como você analisa a situação da literatura brasileira hoje? E o mercado editorial? E a imprensa pautada pelas listas de mais vendidos?
DEONÍSIO: A literatura brasileira é riquíssima. O mercado editorial está bom, mas está concentrado, como tudo no Brasil, em mão de poucos. Já a imprensa, a mídia, está uma vergonha danada em termos de literatura. Ela faz apagamentos que nenhuma ditadura militar alcançou. O livro proibido ainda existe, mas o apagado pela mídia sobrevive como sobrevivem as crianças a altas taxas de mortalidade infantil. Freqüentemente leio livros excelentes, que a mídia não viu, não registrou. E evito com muita freqüência ou largo livros que comecei a ler e não pude continuar, de tão chatos e mal escritos, apesar de elogiados.
Retirado do blog http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever/
Em terra de cegos
Postado por Luciano Trigo em 28 de Agosto de 2008

Saramago para Fernando "estou tão feliz por ter visto esse filme… Como eu estava quando acabei de escrever o livro”, diz José Saramago, com a voz embargada, ao cineasta Fernando Meirelles, após uma projeção privada do filme Ensaio sobre a cegueira [Blindness]. “Você não sabe como isso me deixa feliz”, responde Fernando, dando em seguida um beijo na careca do escritor, Prêmio Nobel de Literatura em 1998 (o primeiro concedido a um escritor de língua portuguesa) e autor dos consagrados Memorial do convento, A jangada de pedra (que também já foi adaptado para o cinema) e O Evangelho segundo Jesus Cristo.
Gravada de forma amadora (e talvez clandestina) a cena, acessível a qualquer pessoa que acessar o Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY), é comovente: mostra a comunhão de dois artistas e de duas linguagens, o reconhecimento da possibilidade de diálogo verdadeiro entre o cinema e a literatura. Mas não vou falar aqui do filme, que está sendo lançado com grande estardalhaço no Brasil, com direito á presença da atriz Julianne Moore. Vou falar da literatura de José Saramago.
A leitura dos romances de Saramago não é fácil. Seus períodos longos, seu uso nada convencional da pontuação (há páginas inteiras sem ponto final, pródigas em vírgulas, e alguns parágrafos têm a extensão de um capítulo), sua incorporação dos diálogos ao corpo do texto, fundindo-se aos pensamentos, sem travessões, seu estilo deliberadamente reiterativo - tudo isso resulta em estruturas narrativas complexas, pautadas pelo fluxo da consciência, que exigem do leitor uma disposição incomum, nada passiva. A carreira de Saramago é peculiar. Depois de publicar Terra do pecado, em 1947 ele passou trinta anos sem escrever romances – até lançar Manual de pintura e caligrafia, quando já tinha 53 anos. Seguiram-se Levantado do chão (1982) e Memorial do convento, o livro que conquistou definitivamente a atenção de leitores e críticos, ao misturar fatos históricos reais com personagens inventados. Depois vieram O ano da morte de Ricardo Reis (1984) – para mim seu melhor romance, sobre as andanças do heterônimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A jangada de pedra (1986), no qual a Península Ibérica se desprende do resto da Europa e navega pelo Atlântico; História do cerco de Lisboa (1989) e o polêmico O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991) – uma releitura humanizadora do livro sagrado. De lá para cá sua ficção ganhou um tom mais fabular, sem laços diretos com a História, mas nem por isso menos preocupados com os rumos da sociedade contemporânea. É o caso de Ensaio sobre a cegueira (1995) e A caverna (2001). Escrever, para Saramago, é uma forma de interrogar o mundo, de pensar criticamente sobre as coisas. Ensaio sobre a cegueira nasceu de uma experiência pessoal: um descolamento de retina, que o escritor sofreu em 1991. O romance trata de uma epidemia de cegueira repentina que assola a população de uma cidade não identificada – metáfora da cegueira geral e infinita dos seres humanos. Em quarentena num manicômio abandonado, os cegos se perceberão reduzidos à sua essência animal. Do lado de fora, aqueles que enxergam se transformam em autoridades, com o poder sobre a vida e a morte dos demais. Do lado de dentro, os cegos confinados se deixam dominar pelos instintos mais primitivos, num verdadeiro inferno. A premissa filosófica é que as pessoas só se tornam realmente quem elas são quando não podem mais fazer julgamentos a partir do que vêem.São páginas de constante aflição, que trazem uma mensagem nada otimista: o ser humano não é bom, e precisamos reconhecer isso. Numa situação desesperadora, a “treva branca” se espalha rapidamente pela cidade, até só sobrar uma pessoa que ainda enxerga: a mulher do médico (interpretada no filme por Julianne Moore), que se finge de cega, para poder acompanhar o marido na quarentena. É ela quem preserva um mínimo de ordem e de valores humanos em meio à cegueira absoluta, é nela que reside um fiapo de resistência e de esperança contra a desagregação social e moral absoluta. Saramago é um pessimista: “Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus”, ele já escreveu. Para o escritor, a humanidade – leia-se a civilização ocidental capitalista – vive tempos sombrios, perdida num caos labiríntico, marcado pela miséria e pela injustiça, pela crueldade e pelo egoísmo, pelo medo e pela culpa. Seu objetivo é chamar a atenção do leitor para a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Mas em que consistiria essa responsabilidade? Não somente em registrar e ter consciência do horror que nos cerca, mas, sobretudo, em ser capaz de conservar a lucidez, resgatar a solidariedade. Ser capaz de amar mesmo sob as mais terríveis pressões - tarefas que ele compartilha com os leitores. O paralelo evidente é com o romance A peste, de Albert Camus, já que nos dois livros uma epidemia misteriosa provoca o desmoronamento completo da sociedade, de tudo aquilo que se associa à idéia de civilização, ao mesmo tempo em que traz à tona as facetas mais primitivas da condição humana. Ensaio sobre a cegueira é o romance mais desagradável de Saramago: há um desfile brutal e incessante de atrocidades, dejetos, maus cheiros, estupros e outros atos de violência, que acompanham o processo de desumanização dos personagens. Definitivamente, não é um livro para todos os gostos."
Por Luciano Trigo
A cara do Brasil
Estava dando uma olhada nos textos sobre cidadania, governo e políticas públicas tentando encontrar coragem para produzir um texto, quando encontrei esta música, que foi, certa vez, utilizada em uma reunião de trabalho pra discutir as várias faces do Brasil, a pluralidade cultural, questões de ética, meio ambiente, etc. Lembrei que, embora a música nos permita refletir sobre estas questões, ela é discriminatória quando se refere somente a pessoas do sexo masculino como expressões do jeito de ser brasileiro.
Resolvi escrever um pouquinho pra despertar do torpor que me invadiu após o lanche da manhã. Participei de uma reunião de trabalho hoje pela manhã e depois do lanche fiquei completamente grogue. Parecia que havia algum sonífero na comida e estou assim até agora. Quase não consigo ficar até ao fim da reunião. Era algo mais forte do que eu. Cheguei em casa , dormi até às 15 horas. Todos saíram de casa e estou sozinha. Comecei a selecionar alguns textos pra estudar e fazer um trabalho. Não estou conseguindo ler e isso tá me irritando. Não costumo ficar tão quieta assim! Que diabos! Será que é cansaço ou estou ficando velha, sem ânimo? Ah, não, isso não! Xô!Vou dar uma voltinha pr ver se me animo um pouco.
A cara do Brasil
Ney Matogrosso
Composição: Celso Viáfora, Vicente Barreto
Eu estava esparramado na rede
jeca urbanóide de papo pro ar
me bateu a pergunta, meio à esmo:
na verdade, o Brasil o que será?
O Brasil é o homem que tem sede
ou quem vive da seca do sertão?
Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo
o que vai é o que vem na contra-mão?
O Brasil é um caboclo sem dinheiro
procurando o doutor nalgum lugar
ou será o professor Darcy Ribeiro
que fugiu do hospital pra se tratar
A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho
Ninguém precisa consertar
Se não der certo a gente se virar sozinho
decerto então nunca vai dar
O Brasil é o que tem talher de prata
ou aquele que só come com a mão?
Ou será que o Brasil é o que não come
o Brasil gordo na contradição?
O Brasil que bate tambor de lata
ou que bate carteira na estação?
O Brasil é o lixo que consome
ou tem nele o maná da criação?
Brasil Mauro Silva, Dunga e Zinho
que é o Brasil zero a zero e campeão
ou o Brasil que parou pelo caminho:
Zico, Sócrates, Júnior e Falcão A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho... O Brasil é uma foto do Betinho
ou um vídeo da Favela Naval?
São os Trens da Alegria de Brasília
ou os trens de subúrbio da Central?
Brasil-globo de Roberto Marinho?
Brasil-bairro: Carlinhos-Candeal?
Quem vê, do Vidigal, o mar e as ilhas
ou quem das ilhas vê o Vidigal?
O Brasil encharcado, palafita?
Seco açude sangrado, chapadão?
Ou será que é uma Avenida Paulista?
Qual a cara da cara da nação? A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho ...
O que é cidadania?
"No Brasil, estamos gestando a nossa cidadania. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988. Mas, muito temos que andar. Ainda predomina uma visão reducionista da cidadania (votar, e de forma obrigatória, pagar os impostos... ou seja, fazer coisas que nos são impostas) e encontramos muitas barreiras culturais e históricas para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre “sim senho?, a «engolir sapos”, a achar “normal” as injustiças, a termos um “jeitinho’ para tudo, a não levar a sério a coisa pública, a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido, a pensar que Deus é brasileiro e se as coisas estão como estão é por vontade Dele.
Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. A cidadania é algo que não se aprende com os livros, mas com a convivência, na vida social e pública. É no convívio do dia-a-dia que exercitamos a nossa cidadania, através das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o próprio meio ambiente. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade, a democracia, os direitos humanos, a ecologia, a ética."
http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/oque_e_cidadania.html
De volta
Na minha voltinha, terminei na casa da Ceiça. Logo ao sair, a Joana me telefona pra dar uma passada no apê da Ceiça. Iam comemorar o aniversário dela, Joana, que fora dia 09 deste. Estavam lá o Bené, A Joana, Amparo e Geísa. Já tinham começado a farra regada a cerveja e espetinhos. A Ceiça disse que seria uma noite brega. Só ia rolar Waldick Soriano, José Augusto, Bruno e Marrone. E foi assim. Foi muito divertido. Não faltaram as piadas do Bené e as nossas histórias engraçadas. Fiquei mais animada e o sono se foi. Tomei um litro de coca-cola e to chegando agora. Vou dormir que amanhã será um dia doméstico e a gata borralheira aqui precisa acordar cedo.
Resolvi escrever um pouquinho pra despertar do torpor que me invadiu após o lanche da manhã. Participei de uma reunião de trabalho hoje pela manhã e depois do lanche fiquei completamente grogue. Parecia que havia algum sonífero na comida e estou assim até agora. Quase não consigo ficar até ao fim da reunião. Era algo mais forte do que eu. Cheguei em casa , dormi até às 15 horas. Todos saíram de casa e estou sozinha. Comecei a selecionar alguns textos pra estudar e fazer um trabalho. Não estou conseguindo ler e isso tá me irritando. Não costumo ficar tão quieta assim! Que diabos! Será que é cansaço ou estou ficando velha, sem ânimo? Ah, não, isso não! Xô!Vou dar uma voltinha pr ver se me animo um pouco.
A cara do Brasil
Ney Matogrosso
Composição: Celso Viáfora, Vicente Barreto
Eu estava esparramado na rede
jeca urbanóide de papo pro ar
me bateu a pergunta, meio à esmo:
na verdade, o Brasil o que será?
O Brasil é o homem que tem sede
ou quem vive da seca do sertão?
Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo
o que vai é o que vem na contra-mão?
O Brasil é um caboclo sem dinheiro
procurando o doutor nalgum lugar
ou será o professor Darcy Ribeiro
que fugiu do hospital pra se tratar
A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho
Ninguém precisa consertar
Se não der certo a gente se virar sozinho
decerto então nunca vai dar
O Brasil é o que tem talher de prata
ou aquele que só come com a mão?
Ou será que o Brasil é o que não come
o Brasil gordo na contradição?
O Brasil que bate tambor de lata
ou que bate carteira na estação?
O Brasil é o lixo que consome
ou tem nele o maná da criação?
Brasil Mauro Silva, Dunga e Zinho
que é o Brasil zero a zero e campeão
ou o Brasil que parou pelo caminho:
Zico, Sócrates, Júnior e Falcão A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho... O Brasil é uma foto do Betinho
ou um vídeo da Favela Naval?
São os Trens da Alegria de Brasília
ou os trens de subúrbio da Central?
Brasil-globo de Roberto Marinho?
Brasil-bairro: Carlinhos-Candeal?
Quem vê, do Vidigal, o mar e as ilhas
ou quem das ilhas vê o Vidigal?
O Brasil encharcado, palafita?
Seco açude sangrado, chapadão?
Ou será que é uma Avenida Paulista?
Qual a cara da cara da nação? A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho ...
O que é cidadania?
"No Brasil, estamos gestando a nossa cidadania. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988. Mas, muito temos que andar. Ainda predomina uma visão reducionista da cidadania (votar, e de forma obrigatória, pagar os impostos... ou seja, fazer coisas que nos são impostas) e encontramos muitas barreiras culturais e históricas para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre “sim senho?, a «engolir sapos”, a achar “normal” as injustiças, a termos um “jeitinho’ para tudo, a não levar a sério a coisa pública, a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido, a pensar que Deus é brasileiro e se as coisas estão como estão é por vontade Dele.
Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. A cidadania é algo que não se aprende com os livros, mas com a convivência, na vida social e pública. É no convívio do dia-a-dia que exercitamos a nossa cidadania, através das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o próprio meio ambiente. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade, a democracia, os direitos humanos, a ecologia, a ética."
http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/oque_e_cidadania.html
De volta
Na minha voltinha, terminei na casa da Ceiça. Logo ao sair, a Joana me telefona pra dar uma passada no apê da Ceiça. Iam comemorar o aniversário dela, Joana, que fora dia 09 deste. Estavam lá o Bené, A Joana, Amparo e Geísa. Já tinham começado a farra regada a cerveja e espetinhos. A Ceiça disse que seria uma noite brega. Só ia rolar Waldick Soriano, José Augusto, Bruno e Marrone. E foi assim. Foi muito divertido. Não faltaram as piadas do Bené e as nossas histórias engraçadas. Fiquei mais animada e o sono se foi. Tomei um litro de coca-cola e to chegando agora. Vou dormir que amanhã será um dia doméstico e a gata borralheira aqui precisa acordar cedo.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Piauí - Governo do Des (envolvimento) ?
A pesquisa realizada pelo IBGE e divulgada hoje mostra bem a cara do desenvolvimento do Piauí. Praticamente dobramos o número de analfabetos e a pobreza aumentou consideravelmente, passando de 37% para 52% nos últimos cinco anos.
É melhor sorrir
Esta foi enviada pra mim hoje pela amiga Francisca Maria.
CEBOLA E A ÁRVORE DE NATAL
>
> Uma família feliz está à mesa de jantar quando o filho fala se
> poderia fazer uma pergunta.
> O pai responde:
> - Claro, filho, vá perguntando! E o filho:
> - Papai, quantos tipos de seios existem?
> O pai, um tanto surpreso, responde:
> - Bem, meu filho, existem três tipos de seios:
> 1. Aos 20 anos a mulher tem seios como melões, firmes e redondos.
> 2. Dos 30 aos 40 eles são como pêras, ainda belos,porém um pouco caídos...
> 3. Aos 50 os seios ficam como cebolas...
> E o filho:
> - Cebolas?!
> E o pai:
> - Sim. Quando você olha para eles, fica com vontade de chorar!
> Esta explicação leva a mãe e a filha a um ponto nevrálgico tal, que a
> filha pergunta:
> - Posso também fazer uma pergunta um tanto pessoal?
> - Mãe, quantos tipos de pênis existem?
> A mãe fica um pouco surpresa, mas olha para o marido e responde, bem,
> filhinha, um homem passa por três fases distintas:
> 1. Aos 20 anos o pênis é como um pé de Jacarandá, respeitável e firme.
> 2. Dos 30 aos 40 anos o pênis é como um pé de Chorão, flexível mas confiável.
> 3. Após os 50 anos o pênis fica como uma árvore de Natal.
> E a filha: - Árvore de Natal?!
> E a mãe: - Isso mesmo. Morto da raiz até a ponta, e as bolas ficam
> penduradas como decoração!! E o pior: só se arma uma vez por ano!!!
É melhor sorrir
Esta foi enviada pra mim hoje pela amiga Francisca Maria.
CEBOLA E A ÁRVORE DE NATAL
>
> Uma família feliz está à mesa de jantar quando o filho fala se
> poderia fazer uma pergunta.
> O pai responde:
> - Claro, filho, vá perguntando! E o filho:
> - Papai, quantos tipos de seios existem?
> O pai, um tanto surpreso, responde:
> - Bem, meu filho, existem três tipos de seios:
> 1. Aos 20 anos a mulher tem seios como melões, firmes e redondos.
> 2. Dos 30 aos 40 eles são como pêras, ainda belos,porém um pouco caídos...
> 3. Aos 50 os seios ficam como cebolas...
> E o filho:
> - Cebolas?!
> E o pai:
> - Sim. Quando você olha para eles, fica com vontade de chorar!
> Esta explicação leva a mãe e a filha a um ponto nevrálgico tal, que a
> filha pergunta:
> - Posso também fazer uma pergunta um tanto pessoal?
> - Mãe, quantos tipos de pênis existem?
> A mãe fica um pouco surpresa, mas olha para o marido e responde, bem,
> filhinha, um homem passa por três fases distintas:
> 1. Aos 20 anos o pênis é como um pé de Jacarandá, respeitável e firme.
> 2. Dos 30 aos 40 anos o pênis é como um pé de Chorão, flexível mas confiável.
> 3. Após os 50 anos o pênis fica como uma árvore de Natal.
> E a filha: - Árvore de Natal?!
> E a mãe: - Isso mesmo. Morto da raiz até a ponta, e as bolas ficam
> penduradas como decoração!! E o pior: só se arma uma vez por ano!!!
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Maiakóvski
DESPERTAR É PRECISO
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Dedução
Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
Maiakóvski
A locomotiva que nos transporta
Antônia Maria chaves Ferreira
Ao escrever este texto, remeto-me a História do rei Davi e sua lição de coragem, buscando entender o que fez um jovem pastor de rebanhos tornar-se rei de Israel.
Autoconfiante, determinado, corajoso...Assim era o rei Davi que o medo não o fez paralisar e por isso deixou-nos o legado de que é preciso vencer esse sentimento, que, não raras vezes, estabelece-se em nós quando estamos diante de um novo projeto, de uma nova maneira de agir, de ensinar, de novas batalhas.
Davi provou-nos que dispondo de ferramentas como fé, coragem e destreza somos capazes de enfrentar situações novas, imprevisíveis. Precisamos, assim, ser tomados pelo entusiasmo de Davi, pela sua fé, pela sua crença na superação de obstáculos e, sobretudo, pela sua inesgotável coragem na transformação do impossível em possível. (CHALITA,2003:81)
Assim, Davi tornou-se um herói porque não se deixou abater pela descrença alheia, pelo negativismo, pelas adversidades. Heróis de todos os tempos são alimentados pelo otimismo, pela segurança e capacidade de superar desafios e por isso conseguem reacender a chama da paixão pela vida, pelo que faz na vida.
Davi tornou-se rei por sua garra, determinação, pela sua personalidade altruísta e por sua coragem. Um herói, é, de fato, movido pela coragem, que, como dissera Gabriel Chalita, é “o impulso revitalizante, a locomotiva que nos transporta”, que me transporta.
Antônia é professora de Língua Portuguesa e colega de trabalho.
Sobre desenvolvimento sustentável
Hoje me fizeram este questionamento: "qual seria ao seu ver o “padrão de desenvolvimento” eficaz para que seja requerido às condições de justiça e eqüidade para o bem estar da população?'
Antes de tudo, é necessário compromisso dos gestores com a coisa pública, visão de planejamento integrado e estratégico , ações voltadas para o cidadão, visto como agente de transformação e de direitos, e competência gerencial. A visão de planejamento integrado, entretanto, não deve ser apenas um aporte ideológico-filosófico, mas efetivamente prático. Temos muitos projetos bonitos, bem elaborados e com intenções realmente boas ,em tese, mas, na prática, deixam muito a desejar. Veja, por exemplo, os Programas de Transferências de Renda, como o Bolsa Família. As condicionalidades não são avaliadas, nem há controle. Temos uma frequência escolar muito boa, acima de 90% mas a qualidade do ensino é medíocre. A assistência à saúde é uma corrida para a morte e as políticas de geração de emprego não saem do papel e, cada vez mais, as pessoas ficam dependentes do Programa. Outro programa-Brasil Alfabetizado- tem retorno pífio, apesar dos milhões investidos.Há dificuldades nos aspectos pedagógicos, econômicos e de gestão. As políticas terminam sendo pontuadas, isoladas,não avançam, não há alinhamento estratégico e grande parte delas não passa de perfumaria de marketing político.
Por outro lado, o país tem avançado economicamente, mas o desenvolvimento sustentável em seu sentido amplo, está longe de ser alcançado. Não bastam avanços econômicos, se não há alinhamento com o social, o ambiental, o tecnológico. O aspecto social do desenvolvimento, especificamente aquele voltado para as ações básicas de educação, saúde e promoção social, precisa ser o norte, a locomotiva. Não há desenvolvimento sustentável com os níveis de educação que temos, com a pobreza alastrada, com desigualdades alarmantes e desemprego.
O desenvolvimento passa pelo compromisso pela educação de qualidade, pelo fortalecimento da democracia, dos canais de participação popular,pela valorização do fator humano nas instituições, pela visão ampla do problemas e pelo desenvolvimento de políticas integradas,eficazes e efetivas, que possam reduzir as desigualdades e garantir melhores condições de vida ao cidadão.
Nesses moldes, o desenvolvimento sustentável é uma construção.
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Dedução
Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
Maiakóvski
A locomotiva que nos transporta
Antônia Maria chaves Ferreira
Ao escrever este texto, remeto-me a História do rei Davi e sua lição de coragem, buscando entender o que fez um jovem pastor de rebanhos tornar-se rei de Israel.
Autoconfiante, determinado, corajoso...Assim era o rei Davi que o medo não o fez paralisar e por isso deixou-nos o legado de que é preciso vencer esse sentimento, que, não raras vezes, estabelece-se em nós quando estamos diante de um novo projeto, de uma nova maneira de agir, de ensinar, de novas batalhas.
Davi provou-nos que dispondo de ferramentas como fé, coragem e destreza somos capazes de enfrentar situações novas, imprevisíveis. Precisamos, assim, ser tomados pelo entusiasmo de Davi, pela sua fé, pela sua crença na superação de obstáculos e, sobretudo, pela sua inesgotável coragem na transformação do impossível em possível. (CHALITA,2003:81)
Assim, Davi tornou-se um herói porque não se deixou abater pela descrença alheia, pelo negativismo, pelas adversidades. Heróis de todos os tempos são alimentados pelo otimismo, pela segurança e capacidade de superar desafios e por isso conseguem reacender a chama da paixão pela vida, pelo que faz na vida.
Davi tornou-se rei por sua garra, determinação, pela sua personalidade altruísta e por sua coragem. Um herói, é, de fato, movido pela coragem, que, como dissera Gabriel Chalita, é “o impulso revitalizante, a locomotiva que nos transporta”, que me transporta.
Antônia é professora de Língua Portuguesa e colega de trabalho.
Sobre desenvolvimento sustentável
Hoje me fizeram este questionamento: "qual seria ao seu ver o “padrão de desenvolvimento” eficaz para que seja requerido às condições de justiça e eqüidade para o bem estar da população?'
Antes de tudo, é necessário compromisso dos gestores com a coisa pública, visão de planejamento integrado e estratégico , ações voltadas para o cidadão, visto como agente de transformação e de direitos, e competência gerencial. A visão de planejamento integrado, entretanto, não deve ser apenas um aporte ideológico-filosófico, mas efetivamente prático. Temos muitos projetos bonitos, bem elaborados e com intenções realmente boas ,em tese, mas, na prática, deixam muito a desejar. Veja, por exemplo, os Programas de Transferências de Renda, como o Bolsa Família. As condicionalidades não são avaliadas, nem há controle. Temos uma frequência escolar muito boa, acima de 90% mas a qualidade do ensino é medíocre. A assistência à saúde é uma corrida para a morte e as políticas de geração de emprego não saem do papel e, cada vez mais, as pessoas ficam dependentes do Programa. Outro programa-Brasil Alfabetizado- tem retorno pífio, apesar dos milhões investidos.Há dificuldades nos aspectos pedagógicos, econômicos e de gestão. As políticas terminam sendo pontuadas, isoladas,não avançam, não há alinhamento estratégico e grande parte delas não passa de perfumaria de marketing político.
Por outro lado, o país tem avançado economicamente, mas o desenvolvimento sustentável em seu sentido amplo, está longe de ser alcançado. Não bastam avanços econômicos, se não há alinhamento com o social, o ambiental, o tecnológico. O aspecto social do desenvolvimento, especificamente aquele voltado para as ações básicas de educação, saúde e promoção social, precisa ser o norte, a locomotiva. Não há desenvolvimento sustentável com os níveis de educação que temos, com a pobreza alastrada, com desigualdades alarmantes e desemprego.
O desenvolvimento passa pelo compromisso pela educação de qualidade, pelo fortalecimento da democracia, dos canais de participação popular,pela valorização do fator humano nas instituições, pela visão ampla do problemas e pelo desenvolvimento de políticas integradas,eficazes e efetivas, que possam reduzir as desigualdades e garantir melhores condições de vida ao cidadão.
Nesses moldes, o desenvolvimento sustentável é uma construção.
domingo, 14 de setembro de 2008
O País dos Petralhas - Reinaldo Azevedo

O País dos Petralhas - O lançamento
O lançamento de O País dos Petralhas, em São Paulo, está previsto para o dia 8 de outubro. Mais perto do evento, falaremos de hora, local etc. E só aparecer e levar o livro, que eu assino. Talvez façamos em outras cidades também. Vamos ver. Agradeço a reação calorosa de vocês, os co-autores. Ah, claro: as falanges do ódio já estão em ação fazendo o que mais sabem: odiar. Prevêem um destino trágico para o livro. Vieram com tudo para o nosso blog e estão vociferando por aí, naquelas páginas que mais parecem esconderijos ou valhacoutos. Podem ladrar. Queriam unanimidade. Respondemos com livros.
O País do Petralhas, deste escrevinhador, chegou ontem às livrarias. É o meu modo de comemorar os 64% de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Quando comecei a reunir os textos, acho que estava em 55%. Sou mesmo incorrigível. Pareço aquelas moças de vida fácil do Rick’s Bar, de Casablanca. O ambiente pode estar um pouco inóspito à volta, mas levanto e canto A Marselhesa... Os petralhas, aqueles do título, já descobriram: “Vai encalhar! Lula está com tudo”. Mal sabem que espero vender 14,4 milhões de exemplares para os que o consideram ruim/péssimo...
Por
Reinaldo Azevedo - Blog da revista Veja deste Domingo
sábado, 13 de setembro de 2008
MPA - Gestão de Cidades
Hoje foi um dia importante e também estressante. Era a apresentação da versão preliminar do Projeto de Impacto na Administração Pública - PIAP e realização de duas provas presenciais: Gestão Tributária e Captação de Recursos Públicos do Curso MPA-Gestão de Cidades da Fundação Getúlio Vargas. A turma é composta por gestores municipais da Prefeitura de Teresina e do Banco do Brasil. Passamos o dia todo no Metropolitan Hotel. A apresentação dos projetos teve um salto qualitativo muito bom em relação à apresentação feita em Março. Os trabalhos estão muito bons. Eu fiz a apresentação do projeto do meu grupo que tem uma proposta de Desenvolvimento e Implantação de um sistema de Gerenciamento de Projetos. Estamos na reta final do Curso. Faltam duas disciplinas eletivas - você escolhe duas políticas públicas para estudar - e a versão final do PIAP. Eu escolhi Políticas de Educação e Políticas de Promoção Social por serem áreas com as quais me identifico. Olha, esta semana foi carregada de trabalho e de estudo. Foi muito produtiva. Estou satisfeita com o resultado. Além disso, esta semana tive uma notícia muito boa em relação ao meu problema de saúde. O médico acha que não preciso mais fazer outra cirurgia, que estou muito bem e que a natureza tem sido muito generosa comigo. Que bom! Ah,Também tive um convite para participar de uma consultoria de projetos. Estou estudando a possibilidade.
Tirei algumas fotos do meu grupo de trabalho do MPA. O Irineu é professor da FGV e veio avaliar os nossos trabalhos. Câncio é um grande amigo, colaborador, alegre e produtivo. A Regina e a Helena são as minhas colegas do PIAP e a Rogéria, minha amiga de trabalho há muitos anos e parceira na realização das provas.

Maria Bethânia
Ontem, quando postei fotos e clips da Bethânia estava sem tempo para escrever alguma coisa. Queria fazer uma homenagem.Bethânia faz parte da minha história musical. Pra mim, ela é uma deusa, uma diva, uma pessoa especial. Tenho muita admiração pelo seu trabalho, pela sua postura como profissional e como mulher. Ela diz que não quer ser uma cantora rotulada e que ela canta o que gosta, o que a emociona, sem se prender a gêneros. Isso, ela faz com maestria. Do brega ao chic, ela faz a diferença. No início dos anos 80, uma pessoa muito especial me deu um disco da Bethânia. Era o disco Álibi, que considero um disco perfeito assim como "Mel", "Âmbar" e tantos outros. o DVD "Tempo,tempo,tempo" é um espetáculo, imperdível. A pessoa que me deu o disco disse que ele era a minha cara. Dos anos 80 para cá, eu tenho recebido dos amigos, como presentes de aniversário, os discos/CD´s da Bethânia . Já a minha amiga Ceiça diz que eu me identifico mais com o Caetano e sempre me presenteia com um CD. Assim eu uno os meus preferidos, o compositor e a cantora. A música do primeiro clip, Tocando em frente, do Almir Sater, é a cara da Ceiça. Lembro que na época em que a Bethânia gravou essa música, a Ceiça gravou uma fita cassete com essa música repetida oito vezes e deixou no "Bar Carinhoso" só pra ela ouvir quando chegasse lá. Tomava todas ouvindo a música. A música "tempo, tempo, tempo" (Oração ao Tempo) do Caetano Veloso está do DVD da Bethânia que leva o mesmo nome e é parte do CD Cinema Transcendental do Caetano. Eu considero este CD um dos melhores do Caetano. É um dos meus preferidos junto com "Uns" e "Cores e Nomes".
Quando soube do show da Bethânia em Teresina, que deve acontecer dia 1º de Outubro, cuidei logo de comprar o meu ingresso. O javan, que é fã dela e tem todos os CD´s e DVD`s, tratou de comprar a mesa e escalar a turma que curte a Bethânia para ir ao show. Estou só aguardando. Acho que vai ser demais. E como a Maria gosta do Fernando Pessoa...
Última Estrela - Fernando Pessoa
Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
Tirei algumas fotos do meu grupo de trabalho do MPA. O Irineu é professor da FGV e veio avaliar os nossos trabalhos. Câncio é um grande amigo, colaborador, alegre e produtivo. A Regina e a Helena são as minhas colegas do PIAP e a Rogéria, minha amiga de trabalho há muitos anos e parceira na realização das provas.

Maria Bethânia
Ontem, quando postei fotos e clips da Bethânia estava sem tempo para escrever alguma coisa. Queria fazer uma homenagem.Bethânia faz parte da minha história musical. Pra mim, ela é uma deusa, uma diva, uma pessoa especial. Tenho muita admiração pelo seu trabalho, pela sua postura como profissional e como mulher. Ela diz que não quer ser uma cantora rotulada e que ela canta o que gosta, o que a emociona, sem se prender a gêneros. Isso, ela faz com maestria. Do brega ao chic, ela faz a diferença. No início dos anos 80, uma pessoa muito especial me deu um disco da Bethânia. Era o disco Álibi, que considero um disco perfeito assim como "Mel", "Âmbar" e tantos outros. o DVD "Tempo,tempo,tempo" é um espetáculo, imperdível. A pessoa que me deu o disco disse que ele era a minha cara. Dos anos 80 para cá, eu tenho recebido dos amigos, como presentes de aniversário, os discos/CD´s da Bethânia . Já a minha amiga Ceiça diz que eu me identifico mais com o Caetano e sempre me presenteia com um CD. Assim eu uno os meus preferidos, o compositor e a cantora. A música do primeiro clip, Tocando em frente, do Almir Sater, é a cara da Ceiça. Lembro que na época em que a Bethânia gravou essa música, a Ceiça gravou uma fita cassete com essa música repetida oito vezes e deixou no "Bar Carinhoso" só pra ela ouvir quando chegasse lá. Tomava todas ouvindo a música. A música "tempo, tempo, tempo" (Oração ao Tempo) do Caetano Veloso está do DVD da Bethânia que leva o mesmo nome e é parte do CD Cinema Transcendental do Caetano. Eu considero este CD um dos melhores do Caetano. É um dos meus preferidos junto com "Uns" e "Cores e Nomes".
Quando soube do show da Bethânia em Teresina, que deve acontecer dia 1º de Outubro, cuidei logo de comprar o meu ingresso. O javan, que é fã dela e tem todos os CD´s e DVD`s, tratou de comprar a mesa e escalar a turma que curte a Bethânia para ir ao show. Estou só aguardando. Acho que vai ser demais. E como a Maria gosta do Fernando Pessoa...
Última Estrela - Fernando Pessoa
Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Maria Bethânia

Maria Bethânia - Tocando em frente (Almir Sater)
Foto: Mário Luiz Thompson
Maria Bethânia é a reunião dos quatro elementos. Tem o veneno e o antídoto da vida. Canta o que vale a pena recordar.
É exatamente o que é. O que faz sentido: amor.
Ela vive, suporta e se prepara. Escrever sobre ela exige punho firme, voz ativa, olhos sinceros. Caminhar em seus entremeios é encantar-se pela sua resistência em função do que sempre quis cumprir. E sabia que tinha que cumprir.
Ela foi predestinada ao palco, à magia. Não havia outra solução. Chegar até Bethânia por obra do destino, é descobrir nossa própria alma guerreira. E sentir alívio ao ver o fogo, fulgir e fundir-se, coabitar com ele.
...
Para banhar-se na luz dos raios desta filha de Yansã basta apenas não fugir da febre. Cuidem dela. Porque de seu peito brotam os sons que as pessoas cantarão para ver renascer a vida.
Carole Chidiac
Sonho Impossível
Tempo, Tempo, Tempo
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Ensino superior - avaliação do MEC
09/09/2008 - 10h58
MEC reprova 31% do ensino superior
Publicidade
RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo, enviado especial a Brasília
LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O raio-X do ensino superior, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, permite duas importantes conclusões:
a) De cada dez instituições de ensino superior -ou seja, universidades, centro universitários e faculdades-, três têm nível inadequado (nota 1 ou 2).
b) É a rede privada que puxa o resultado para baixo, com quase a totalidade (96%) das instituições com desempenho considerado insatisfatório.
O raio-X faz parte do primeiro ranking oficial de instituições superiores, apresentado em Brasília pelo ministro Fernando Haddad (Educação).
De todas as 1.448 instituições avaliadas, foram dadas notas baixas a 454 delas (31%). A que obteve a melhor nota é a Ebef (Escola Brasileira de Economia e Finanças), do Rio, que pertence à Fundação Getulio Vargas.
Considerando apenas as universidades, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) é a que obteve o melhor desempenho no levantamento.
Outras 400 instituições não foram analisadas por serem novas e não terem turmas formadas ou porque pertencem à rede estadual e não aceitaram participar da avaliação -caso da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Para chegar ao novo ranking, o MEC (Ministério da Educação) avaliou o nível de aprendizado dos formandos nos três últimos Enades (antigo Provão), a qualidade dos cursos de graduação e de pós (quando foi o caso), a titulação dos professores, a opinião dos alunos e a infra-estrutura física.
No final, chegou-se ao chamado IGC (índice geral de cursos. São notas que vão de zero a 500 e que, como resultado, enquadram as instituições em faixas de 1 (as piores, com nota de 0 a 94) a 5 (as melhores, com nota 395 a 500). As instituições consideradas ruins são as que ficaram nas faixas 1 e 2.
MEC reprova 31% do ensino superior
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RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo, enviado especial a Brasília
LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O raio-X do ensino superior, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, permite duas importantes conclusões:
a) De cada dez instituições de ensino superior -ou seja, universidades, centro universitários e faculdades-, três têm nível inadequado (nota 1 ou 2).
b) É a rede privada que puxa o resultado para baixo, com quase a totalidade (96%) das instituições com desempenho considerado insatisfatório.
O raio-X faz parte do primeiro ranking oficial de instituições superiores, apresentado em Brasília pelo ministro Fernando Haddad (Educação).
De todas as 1.448 instituições avaliadas, foram dadas notas baixas a 454 delas (31%). A que obteve a melhor nota é a Ebef (Escola Brasileira de Economia e Finanças), do Rio, que pertence à Fundação Getulio Vargas.
Considerando apenas as universidades, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) é a que obteve o melhor desempenho no levantamento.
Outras 400 instituições não foram analisadas por serem novas e não terem turmas formadas ou porque pertencem à rede estadual e não aceitaram participar da avaliação -caso da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Para chegar ao novo ranking, o MEC (Ministério da Educação) avaliou o nível de aprendizado dos formandos nos três últimos Enades (antigo Provão), a qualidade dos cursos de graduação e de pós (quando foi o caso), a titulação dos professores, a opinião dos alunos e a infra-estrutura física.
No final, chegou-se ao chamado IGC (índice geral de cursos. São notas que vão de zero a 500 e que, como resultado, enquadram as instituições em faixas de 1 (as piores, com nota de 0 a 94) a 5 (as melhores, com nota 395 a 500). As instituições consideradas ruins são as que ficaram nas faixas 1 e 2.
domingo, 7 de setembro de 2008
PC, a onda do Politicamente Correto
Reportagem da Istoé de hoje.
A invasão do politicamente correto
Beiram o exagero os termos utilizados para mascarar a realidade ou coibir manifestações preconceituosas
CLAUDIA JORDÃO
RogéRio AlbuqueRque/Ag. iSToé
Públicos Crianças aprendem versões politicamente corretas de canções de roda
Qual a melhor maneira de se dirigir aos negros, homossexuais e idosos? Como não ofendê-los? Quais palavras usar e quais repudiar? Há dez anos, perguntas como essas difi cilmente povoariam a mente dos brasileiros. Hoje, dúvidas assim são comuns. Essa mudança de comportamento, que refl ete diretamente em nossa maneira de falar, deve-se ao Movimento do Politicamente Correto. Nascido na militância política pelos direitos civis, nos Estados Unidos, na década de 70, ele ganhou força nas universidades americanas nos anos 80 e desembarcou no Brasil pouco mais de dez anos depois. Prega que alguns termos sejam banidos do vocabulário para evitar manifestações preconceituosas de gênero, idade, raça, orientação sexual, condição física e social. A mania vem sendo incorporada pela sociedade, mas ferve o sangue de intelectuais, escritores e músicos cuja ferramenta de trabalho é justamente a palavra. O professor de lingüística da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bruno Dallare, considera o PC (como é chamado o movimento) autoritário, arbitrário e cerceador. “Ele provoca efeito contrário ao que defende”, diz. “Ao seguir regras, a pessoa perde a naturalidade e se distancia do interlocutor.” Além disso, os termos, em alguns casos, transcendem o bom senso. As expressões “terceira idade” e “melhor idade”, criadas por técnicos da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), para nomear programas de viagem destinados aos idosos, têm como objetivo mascarar a velhice. Trata-se de uma jogada de marketing – o termo, mais positivo que velho, ajudaria a atrair este público. Agora, já há profi ssionais do setor de turismo utilizando a expressão “suave idade”, como se esta realmente fosse a fase mais suave da vida.
“Não entendo por que ‘velho’ é politicamente incorreto”, diz o escritor Rubem Alves, do alto de seus 77 anos. “Já imaginaram se Ernest Hemingway tivesse dado ao seu livro o nome de O idoso e o mar (o nome é O velho e o mar)?”, questiona. O Ministério do Turismo cunhou “melhor idade” depois que a expressão “terceira idade” foi registrada e eles perderam o direito de utilizá-la. “Não acho o termo bom, mas foi o melhor que encontramos”, diz Maria Flor, do Ministério do Turismo.
Paddy Eckersley/Image Plus
Termos como “melhor idade” tentam disfarçar a velhice para vender pacotes turísticos
As expressões difundidas pelos politicamente corretos estão presentes, principalmente, na militância gay e no movimento negro. A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) editou uma cartilha para educadores e outra para comunicadores, em que sugere quais palavras devem ser usadas. Exemplo disso é a troca de “homossexualismo” por “homossexualidade”. O argumento é forte. Em 1996, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou o homossexualismo da lista de doenças. Por isso, o sufixo “ismo” (que remete a doenças) não teria mais sentido. O movimento negro afirma que eles não querem ser chamados de “neguinho” e “preto”. Preferem afrodescendentes – uma tradução, um pouco torta, do termo usado nos Estados Unidos pelos PCs, afro-americans. Grande parte da linguagem politicamente correta brasileira é inspirada na americana. Mas ela também nasce aqui. “Muitos termos e expressões são criados, mas somente alguns são aceitos pela mídia e passados para a frente”, diz Dallare.
Até mesmo as escolas de ensino infantil são berço dessas manifestações. Há dez anos educadores alteram a letra de canções de roda consagradas. Clássicos como Atirei o pau no gato, O cravo e a rosa e Boi da cara preta foram considerados inadequados. O primeiro, por exemplo, é tido como agressivo e “pouco amigo” dos animais (leia como ficou no quadro). Os outros dois são tachados, respectivamente, de “desumano” e “racista”. Segundo Claudia Razuk, coordenadora de uma das unidades do Colégio Itatiaia, em São Paulo, o objetivo é, desde cedo, ensinar à criança a maneira correta de agir. “A escola existe para isso”, afirma. Recentemente, a própria educadora mudou a letra de uma canção, que considerava pessimista, para uma versão mais cor-de-rosa.
Em 2005, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do governo federal, editou a Cartilha do Politicamente Correto. E foi bombardeada de críticas – acusada de cercear a liberdade de expressão e criticada por seus “exageros”. Termos como “peão”, “comunista” e “funcionário público” eram desaconselhados. A obra foi engavetada, mas deixou uma lição. Com o uso de palavras politicamente corretas ou não, o fundamental é ter bom senso.
5/9/2008
AS RUAS, O PALÁCIO E O PALANQUE
Luciano Suassuna
Nunca na história deste país se viu um governo democraticamente eleito tão empenhado em – para usar o jargão dos que enfrentaram o regime militar – “calar a voz das ruas”. Criados na esteira do acidente do Airbus da TAM, os movimentos de protesto contra a inépcia, a burocracia e a corrupção nem bem pisaram as avenidas de algumas capitais e foram fraudulentamente rotulados pelos políticos governistas como se fossem constituídos de almofadinhas burgueses usurpando a dor alheia. O que deveria ser a parte mais visível dessa insatisfação, uma campanha a ser veiculada por emissoras de televisão, sucumbiu em terra, antes de ir ao ar.
Em nenhum momento esses movimentos se declararam animosamente em oposição ao governo ou ao presidente Lula – ao contrário da seqüência “fora Sarney”, “fora Collor” e “fora FHC”, que contou sempre com a simpatia, quando não o engajamento, do PT e seus líderes. Não é porque as ruas foram ocupadas por empresários, tucanos ou uma classe média revoltada com o caos aéreo que a passeata é menos legítima. O direito de protestar nas avenidas não é propriedade, nem prerrogativa, do movimento estudantil, dos sindicatos de trabalhadores ou dos integrantes do MST.
O que impressionou nesse caso foi o voluntarismo com que o governo vestiu a carapuça, levando o presidente Lula a sua mais tradicional reação: quando as críticas alcançam as ruas, ele troca o palácio pelo palanque. É uma estratégia de risco. No palanque, o presidente volta a ser o velho líder operário que chegou lá, contra tudo e contra todos. Sai da esfera da política para uma área de mistificação adorativa. Ao repetir seguidamente a mesma estratégia, contudo, ele pode vir a descobrir que esse milagre da transformação talvez não dure para sempre.
Luciano Suassuna é Diretor Editoral-Adjunto de ISTOÉ
A invasão do politicamente correto
Beiram o exagero os termos utilizados para mascarar a realidade ou coibir manifestações preconceituosas
CLAUDIA JORDÃO
RogéRio AlbuqueRque/Ag. iSToé
Públicos Crianças aprendem versões politicamente corretas de canções de roda
Qual a melhor maneira de se dirigir aos negros, homossexuais e idosos? Como não ofendê-los? Quais palavras usar e quais repudiar? Há dez anos, perguntas como essas difi cilmente povoariam a mente dos brasileiros. Hoje, dúvidas assim são comuns. Essa mudança de comportamento, que refl ete diretamente em nossa maneira de falar, deve-se ao Movimento do Politicamente Correto. Nascido na militância política pelos direitos civis, nos Estados Unidos, na década de 70, ele ganhou força nas universidades americanas nos anos 80 e desembarcou no Brasil pouco mais de dez anos depois. Prega que alguns termos sejam banidos do vocabulário para evitar manifestações preconceituosas de gênero, idade, raça, orientação sexual, condição física e social. A mania vem sendo incorporada pela sociedade, mas ferve o sangue de intelectuais, escritores e músicos cuja ferramenta de trabalho é justamente a palavra. O professor de lingüística da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bruno Dallare, considera o PC (como é chamado o movimento) autoritário, arbitrário e cerceador. “Ele provoca efeito contrário ao que defende”, diz. “Ao seguir regras, a pessoa perde a naturalidade e se distancia do interlocutor.” Além disso, os termos, em alguns casos, transcendem o bom senso. As expressões “terceira idade” e “melhor idade”, criadas por técnicos da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), para nomear programas de viagem destinados aos idosos, têm como objetivo mascarar a velhice. Trata-se de uma jogada de marketing – o termo, mais positivo que velho, ajudaria a atrair este público. Agora, já há profi ssionais do setor de turismo utilizando a expressão “suave idade”, como se esta realmente fosse a fase mais suave da vida.
“Não entendo por que ‘velho’ é politicamente incorreto”, diz o escritor Rubem Alves, do alto de seus 77 anos. “Já imaginaram se Ernest Hemingway tivesse dado ao seu livro o nome de O idoso e o mar (o nome é O velho e o mar)?”, questiona. O Ministério do Turismo cunhou “melhor idade” depois que a expressão “terceira idade” foi registrada e eles perderam o direito de utilizá-la. “Não acho o termo bom, mas foi o melhor que encontramos”, diz Maria Flor, do Ministério do Turismo.
Paddy Eckersley/Image Plus
Termos como “melhor idade” tentam disfarçar a velhice para vender pacotes turísticos
As expressões difundidas pelos politicamente corretos estão presentes, principalmente, na militância gay e no movimento negro. A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) editou uma cartilha para educadores e outra para comunicadores, em que sugere quais palavras devem ser usadas. Exemplo disso é a troca de “homossexualismo” por “homossexualidade”. O argumento é forte. Em 1996, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou o homossexualismo da lista de doenças. Por isso, o sufixo “ismo” (que remete a doenças) não teria mais sentido. O movimento negro afirma que eles não querem ser chamados de “neguinho” e “preto”. Preferem afrodescendentes – uma tradução, um pouco torta, do termo usado nos Estados Unidos pelos PCs, afro-americans. Grande parte da linguagem politicamente correta brasileira é inspirada na americana. Mas ela também nasce aqui. “Muitos termos e expressões são criados, mas somente alguns são aceitos pela mídia e passados para a frente”, diz Dallare.
Até mesmo as escolas de ensino infantil são berço dessas manifestações. Há dez anos educadores alteram a letra de canções de roda consagradas. Clássicos como Atirei o pau no gato, O cravo e a rosa e Boi da cara preta foram considerados inadequados. O primeiro, por exemplo, é tido como agressivo e “pouco amigo” dos animais (leia como ficou no quadro). Os outros dois são tachados, respectivamente, de “desumano” e “racista”. Segundo Claudia Razuk, coordenadora de uma das unidades do Colégio Itatiaia, em São Paulo, o objetivo é, desde cedo, ensinar à criança a maneira correta de agir. “A escola existe para isso”, afirma. Recentemente, a própria educadora mudou a letra de uma canção, que considerava pessimista, para uma versão mais cor-de-rosa.
Em 2005, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do governo federal, editou a Cartilha do Politicamente Correto. E foi bombardeada de críticas – acusada de cercear a liberdade de expressão e criticada por seus “exageros”. Termos como “peão”, “comunista” e “funcionário público” eram desaconselhados. A obra foi engavetada, mas deixou uma lição. Com o uso de palavras politicamente corretas ou não, o fundamental é ter bom senso.
5/9/2008
AS RUAS, O PALÁCIO E O PALANQUE
Luciano Suassuna
Nunca na história deste país se viu um governo democraticamente eleito tão empenhado em – para usar o jargão dos que enfrentaram o regime militar – “calar a voz das ruas”. Criados na esteira do acidente do Airbus da TAM, os movimentos de protesto contra a inépcia, a burocracia e a corrupção nem bem pisaram as avenidas de algumas capitais e foram fraudulentamente rotulados pelos políticos governistas como se fossem constituídos de almofadinhas burgueses usurpando a dor alheia. O que deveria ser a parte mais visível dessa insatisfação, uma campanha a ser veiculada por emissoras de televisão, sucumbiu em terra, antes de ir ao ar.
Em nenhum momento esses movimentos se declararam animosamente em oposição ao governo ou ao presidente Lula – ao contrário da seqüência “fora Sarney”, “fora Collor” e “fora FHC”, que contou sempre com a simpatia, quando não o engajamento, do PT e seus líderes. Não é porque as ruas foram ocupadas por empresários, tucanos ou uma classe média revoltada com o caos aéreo que a passeata é menos legítima. O direito de protestar nas avenidas não é propriedade, nem prerrogativa, do movimento estudantil, dos sindicatos de trabalhadores ou dos integrantes do MST.
O que impressionou nesse caso foi o voluntarismo com que o governo vestiu a carapuça, levando o presidente Lula a sua mais tradicional reação: quando as críticas alcançam as ruas, ele troca o palácio pelo palanque. É uma estratégia de risco. No palanque, o presidente volta a ser o velho líder operário que chegou lá, contra tudo e contra todos. Sai da esfera da política para uma área de mistificação adorativa. Ao repetir seguidamente a mesma estratégia, contudo, ele pode vir a descobrir que esse milagre da transformação talvez não dure para sempre.
Luciano Suassuna é Diretor Editoral-Adjunto de ISTOÉ
Cacos de Utopia - Wellington Soares
Estava eu arrumando uns livros, agora, quando encontrei o livro do Wellington Soares, "Linguagem dos Sentidos", que ele me deu em 2006. É um livro gostoso de ler. São contos curtos, precisos, humanos. Aqui está um deles.
CACOS DE UTOPIA
Os sonhos desabaram sobre os seus ombros. Um peso insuportável e doloroso, dos que provocam um nó na garganta, dobrou os alicerces de suas crenças mais íntimas e progundas.
O jovem militante de esquerda estava agora ali, cabisbaixo, pensativo, refletindo sobre os últimos acontecimentos do Leste Europeu, cortando-se nos cacos das próprias utopias.
Ainda com um certo gosto amargo na boca, resolveu livrar-se dos dogmas que haviam marcado sua atuação política até ali, jgando-os no sanitário e, em seguida, puxando a descarga.
Mais aliviado, abriu a janela do quarto e deixou entrar o ar da rua, um ar diferente que sorveu aos poucos, como as carícias da mulher amada.
Sentindo-se emocionado, chorou. Um choro que inundou tudo, derrubando não só um, mas vários muros. Limpou as lágrimas, abriu a porta e resolveu encarar a vida, sem mistificações.
Enquanto postava este conto, ouvia a bela canção "Beautiful Day" do U2. Esta música foi a música que minha filha Laressa cantou no dia da sua formatura. foi lindo. vou dividir com você.
Beautiful Day
U2
The heart is a bloom, shoots up through the stony ground
But there's no room, no space to rent in this town
You're out of luck and the reason that you had to care,
The traffic is stuck and you're not moving anywhere.
You thought youÂ’d found a friend to take you out of this place
Someone you could lend a hand in return for grace
It's a beautiful day
The sky falls and you feel like it's a beautiful day
DonÂ’t let it get away
YouÂ’re on the road but you've got no destination
YouÂ’re in the mud, in the maze of her imagination
You love this town even if that doesn't ring true
YouÂ’ve been all over and itÂ’s been all over you
It's a beautiful day
Don't let it get away
it's a beautiful day
Touch me, take me to that other place
Teach me, I know I'm not a hopeless case
See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the bedouin fires at night
See the oil fields at first light and,
See the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colours came out
It was a beautiful day
Don't let it get away
Beautiful day
Touch me, take me to that other place
Reach me, I know I'm not a hopeless case
What you don't have you don't need it now
What you don't know you can feel it somehow
What you don't have you don't need it now
You don't need it now
Was a Beautiful day...
CACOS DE UTOPIA
Os sonhos desabaram sobre os seus ombros. Um peso insuportável e doloroso, dos que provocam um nó na garganta, dobrou os alicerces de suas crenças mais íntimas e progundas.
O jovem militante de esquerda estava agora ali, cabisbaixo, pensativo, refletindo sobre os últimos acontecimentos do Leste Europeu, cortando-se nos cacos das próprias utopias.
Ainda com um certo gosto amargo na boca, resolveu livrar-se dos dogmas que haviam marcado sua atuação política até ali, jgando-os no sanitário e, em seguida, puxando a descarga.
Mais aliviado, abriu a janela do quarto e deixou entrar o ar da rua, um ar diferente que sorveu aos poucos, como as carícias da mulher amada.
Sentindo-se emocionado, chorou. Um choro que inundou tudo, derrubando não só um, mas vários muros. Limpou as lágrimas, abriu a porta e resolveu encarar a vida, sem mistificações.
Enquanto postava este conto, ouvia a bela canção "Beautiful Day" do U2. Esta música foi a música que minha filha Laressa cantou no dia da sua formatura. foi lindo. vou dividir com você.
Beautiful Day
U2
The heart is a bloom, shoots up through the stony ground
But there's no room, no space to rent in this town
You're out of luck and the reason that you had to care,
The traffic is stuck and you're not moving anywhere.
You thought youÂ’d found a friend to take you out of this place
Someone you could lend a hand in return for grace
It's a beautiful day
The sky falls and you feel like it's a beautiful day
DonÂ’t let it get away
YouÂ’re on the road but you've got no destination
YouÂ’re in the mud, in the maze of her imagination
You love this town even if that doesn't ring true
YouÂ’ve been all over and itÂ’s been all over you
It's a beautiful day
Don't let it get away
it's a beautiful day
Touch me, take me to that other place
Teach me, I know I'm not a hopeless case
See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the bedouin fires at night
See the oil fields at first light and,
See the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colours came out
It was a beautiful day
Don't let it get away
Beautiful day
Touch me, take me to that other place
Reach me, I know I'm not a hopeless case
What you don't have you don't need it now
What you don't know you can feel it somehow
What you don't have you don't need it now
You don't need it now
Was a Beautiful day...
sábado, 6 de setembro de 2008
A chegada de Dercy ao céu
Mandaram essa pra mim. Não sei quem é o autor.
Dercy:
- Porra tá frio aqui em cima;
- O céu não tem temperatura - pondera um porteiro celestial de plantão.
- Não tem é o cassete. Tá frio sim senhor - insiste Dercy.
- Prefere o inferno? Lá é mais quentinho.
- Manda tua mãe pra lá.
- Cadê o Pedro?
- Pedro só atende aos purificados.
- E eu tô suja por acaso: Tô cagada?
- Você primeiro tem que passar pelo purgatório, ajustar umas continhas?
- Não devo nada a Puto nenhum.
- Você foi muito sapeca lá por baixo.
- Como é que você sabe. Andava escondido debaixo das minhas saias?
- Dercy, daqui de cima a gente vê tudo.
- Vê porra nenhuma. Vê a pobreza, a violência, meninas de 4 anos sendo estupradas pelos pais, político metendo a mão no dinheiro dos pobres, cara cheirando até cocô pra ficar doidão?
O que vocês vêem? Só me viam?
- Você fala muito palavrão
- Eu sempre disse que o palavrão estava na cabeça de quem escutava.
- Palavrão é a fome, a falta de moral destes caras que pensam que o mundo é deles.
- Esses goelas grandes e seus assessores laranjas, tangerinas e o cassete?
- Está vendo? Outro palavrão
- Cassete é palavrão seu porteiro de meia tigela? Palavrão é PQP? (silêncio de alguns segundos)
- Seja bem vinda Dercy. Sou Pedro. Pode entrar.
- Porra, não é que eu morri mesmo!
- E o purgatório?
- Você já passou 101 anos por ele, lá em baixo. Venha descansar.
- É tô precisando mesmo. Mas tira essa mão boba de cima de mim!?
Waldick por Caetano Veloso
"Waldick Soriano morreu. “Eu não sou cachorro, não” é um clássico da cultura brasileira. Tenho orgulho desse grande baiano das nossas letras e músicas. Elite? Se há uma elite para mim, é a elite dos que têm ou tiveram grande intuição artística. Waldick era um desses. Que bom que nossa deslumbrante Patrícia Pillar fez um filme sobre ele a tempo."
Dercy:
- Porra tá frio aqui em cima;
- O céu não tem temperatura - pondera um porteiro celestial de plantão.
- Não tem é o cassete. Tá frio sim senhor - insiste Dercy.
- Prefere o inferno? Lá é mais quentinho.
- Manda tua mãe pra lá.
- Cadê o Pedro?
- Pedro só atende aos purificados.
- E eu tô suja por acaso: Tô cagada?
- Você primeiro tem que passar pelo purgatório, ajustar umas continhas?
- Não devo nada a Puto nenhum.
- Você foi muito sapeca lá por baixo.
- Como é que você sabe. Andava escondido debaixo das minhas saias?
- Dercy, daqui de cima a gente vê tudo.
- Vê porra nenhuma. Vê a pobreza, a violência, meninas de 4 anos sendo estupradas pelos pais, político metendo a mão no dinheiro dos pobres, cara cheirando até cocô pra ficar doidão?
O que vocês vêem? Só me viam?
- Você fala muito palavrão
- Eu sempre disse que o palavrão estava na cabeça de quem escutava.
- Palavrão é a fome, a falta de moral destes caras que pensam que o mundo é deles.
- Esses goelas grandes e seus assessores laranjas, tangerinas e o cassete?
- Está vendo? Outro palavrão
- Cassete é palavrão seu porteiro de meia tigela? Palavrão é PQP? (silêncio de alguns segundos)
- Seja bem vinda Dercy. Sou Pedro. Pode entrar.
- Porra, não é que eu morri mesmo!
- E o purgatório?
- Você já passou 101 anos por ele, lá em baixo. Venha descansar.
- É tô precisando mesmo. Mas tira essa mão boba de cima de mim!?
Waldick por Caetano Veloso
"Waldick Soriano morreu. “Eu não sou cachorro, não” é um clássico da cultura brasileira. Tenho orgulho desse grande baiano das nossas letras e músicas. Elite? Se há uma elite para mim, é a elite dos que têm ou tiveram grande intuição artística. Waldick era um desses. Que bom que nossa deslumbrante Patrícia Pillar fez um filme sobre ele a tempo."
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Waldick Soriano - Adeus!
Ontem, quando vi nos jornais a notícia da morte do Waldick, me lembrei de quando eu tinha 14, 15 anos e ouvia os discos do Waldick que meu pai comprava. Gostava das músicas e copiava em um caderno. Eu tinha um caderno só com músicas do Waldick e do Roberto Carlos. Fiz esse comentário com os meus alunos, eles riram e disseram que era muito antiga. Ainda hoje sei de cor algumas músicas, mas a minha preferida era "A Carta"
"Amigo, beba comigo
Quero brindar a ti minha desgraça..."
"Hoje, que a noite está calma," Adeus, Waldick
"Amigo, beba comigo
Quero brindar a ti minha desgraça..."
"Hoje, que a noite está calma," Adeus, Waldick
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Mais Caetano Veloso - Linguistas
Gente, estou adorando o blog do Caetano Veloso. Vale a pena ver e ler. Vamos Caetanear?
LINGÜISTAS
2/09/2008 1:51 am
Peço perdão a C por interromper o que quer que seja que estávamos falando (o que era mesmo? sobre críticas e a imprensa? alguém pensou que era contra São Paulo? jamais: estou muito no Rio mas gosto muito mais de São Paulo sob vários pontos de vista - um dia volto a esse antigo tema): preciso dizer a Lucas Matos que eu nunca escrevi que lingüistas não amam a língua portuguesa - e que quando falei em demagogia eu me referia a determinados argumentos que vi publicados, não a todos os lingüistas. Não preciso ser especialista na disciplina para me manifestar. O que escrevi foi: “Sou apaixonado pela língua portuguesa e por gramática (ao contrário de lingüistas e demagogos em geral, acho o sucesso público de figuras como o professor Pasquali um bom sintoma).” Já li e ouvi de diversos demagogos (alguns eram lingüistas) reações enraivadas à presença pública de Pasquali e outros gramáticos que dão dicas em revistas ou na TV. Diferentemente deles, acho um bom sinal que tal fenômeno tenha surgido e crescido. Não há nenhum charme de falar sobre o que não sei aí. Sei muito bem de tudo isso. Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele, Lévi-Strauss (cujo “Tristes trópicos” me apaixonou em 1968) falava dele, todos falavam de Jacobson, que falava dele. Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais. Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: “oiseaux”. Depois, entre muitas outras conversas, observações e leituras, fui nuançando essa visão. Para meu governo (tenho uma vida mental íntima, como todo o mundo, que não se desenvolve para publicar-se: aqui no blog naturalmente essa vida íntima se expõe mais, mas é só uma tênue película - como sói acontecer.). Há já um bom número de anos, fui fazer show em Campinas e um professor da Unicamp me entregou um presente: o livro de uma lingüista, com uma dedicatória bonita (”Para Caetano, com as palavras que me faltam”). O livro era sobre português europeu e português brasileiro. Talvez surjam aqui imprecisões, já que perdi o livro numa das mudanças que se seguiram à minha separação - e muitas vezes o confundo com um outro, de autoria coletiva, chamado “Português brasileiro” (título e expressão que adoro). O da professora era escrito num português excelente e tudo nele me interessava. Mas havia coisas que me ficaram como questões numa discussão que nunca se deu. Por exemplo: ela assumia de uma vez por todas que a segunda pessoa do singular não existe no Brasil. É “você” e acabou. A segunda do plural, então, já tinha morrido antes de o Império terminar. Considerava também como inexorável o desaparecimento futuro das conjugações reflexivas (os verbos pronominais). Ora, eu acho que os gaúchos dizem “tu” a torto e a direito (talvez mais a torto do que a direito); os cariocas conjugam, com muita ginga, verbos na segunda pessoa para enfatizar ironia ou agressividade (”tás me estranhando!”, “tás por fora”, “tens cara de veado” etc.) e usam o “tu” para mostrar informalidade (”tu é gay, tu é gay que eu sei”, o Maracanã grita para alguns jogadores; meu filho de 16 anos diz a seus amigos - e ouve deles - coisas como “tu vai lá e chega na mina.”); os pernambucanos perguntam sempre “viste?” - que muitas vezes eles suavizam para “visse?”; os paraenses conjugam o verbo na segunda pessoa, quando escolhem “tu” em vez de “você” - e muitos deles usam o possessivo na segunda do plural (a um casal ou grupo de amigos perguntam: “esses livros aqui são vossos?”). E, seja como for, todos os brasileiros, inclusive (talvez mesmo principalmente) as crianças entendem as letras das canções de Orestes Barbosa ou de Chico Buarque em que o cantor se dirige à amada na segunda do singular. Não se pode dizer que todas essas pessoas não possuam esses recursos da língua. Muito menos que as estará oprimindo quem lhes explicar como funcionam. Por outro lado, meus amigos baianos e cariocas (inclusive muitos semi-analfabetos) riem dos mineiros (e de alguns falantes do interior de São Paulo) quando eles omitem o pronome dos verbos reflexivos: “paixonei com ela” (em vez de “me apaixonei por ela”), “espera eu aprontar” (em vez de “espera eu me aprontar”), “assustou” (em vez de “se assustou”) etc. Lembro que, no livro, a professora indicava tratar-se de tendências. Mas, além de ela dar valor normativo a essas tendências, o argumento de que qualquer transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua é opressão era recorrente. Essas eram questões que gostaria de discutir com ela. Mas meu tempo foi sempre escasso - e temi importuná-la e tomar seu tempo. Depois perdi o livro. Volto a pensar nessas coisas (e em outras que encontrei, nascidas das descobertas de Noam Chomsky) sempre que vejo reações públicas de lingüistas a qualquer exposição de paradigma culto. Finalmente, li uma entrevista na Caros Amigos, que me foi enviada por Tuzé de Abreu, de um lingüista que escreveu “A norma oculta”, defendendo o português de Lula contra os preconceitos da “elite”. Eu tenho idéias políticas a respeito. E não preciso me formar em ligüística na Sorbonne para expô-lo. Claro que são argumentos para se discutir. Mas são fortes. Na entrevista do autor de “Norma oculta” (não estou evitando escrever seu nome: simplesmente esqueci, mas faço questão de mencionar o nome do livro, que deve ser lido) há agressões a Pasquali (por parte dele e dos entrevistadores) e a toda idéia de correção ou enriquecimento da fala. E um quase silêncio mórbido sobre a língua escrita. Ora, eu acho que esses arroubos de populismo são em geral um superesnobismo mal disfarçado. Claro que sei que se escrevia “frecha” (até os poetas românticos ainda usavam essa forma) e que , portanto, dizer “TV Grobo” não é exatamente errado. Mas as pessoas que dizem “grobo” são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder. Os emergentes brasileiros que, saindo da pobreza para a crescente classe média, desejam aprender com os Pasqualis da vida são os alvos finais da agressão desses lingüistas. Por mais bem intencionados que sejam, estes resultam demagógicos, pois proíbem a troca natural entre os níveis de informação (sendo assim mais contra o dsenvolvimento orgânico da língua do que os gramáticos) e ostentam estar de posse de teorias de ponta. Aliás, naquela longa entrevista de Lévi-Strauss a Didier Eribon, o grande antropólogo diz que começou influenciado pela lingüístca mas que nos últimos anos deixou de interessar-se pelos textos teóricos da disciplina por achá-los muito esnobes e preciosistas. Acho que se tivermos mais brasileiros letrados, melhores escolas, menos pobreza (isto já começa a se dar), o trato com a palavra escrita poderá mudar muitas “tendências”. E é gritante o desleixo pela palavra escrita nesse processo. Sim, me lembro de Saussure. Mas, por exemplo, há “tendências” misteriosas: por que leio hoje nos jornais e nos livros quase sempre “em um” ou “em uma”, em vez de “num” ou “numa”? Será que há uma regra que desconheço? Os falantes que ouço, todos, sempre disseram “o corpo foi encontrado num canto da praça Genral Osório”. Mas os jornais escrevem “em um canto da General Osório”. As moças da TV já dizem preferencialmente “em um”. E já começo a ouvir pessoas de carne e osso dizendo “em uma rua escura” em vez de “numa rua escura”. Será que é regional (como a professora que me mandou o livro toma uma inclinação mineira contra os verbos pronominais como universalmente brasileira, eu estarei tomando uma tendênia baiana a fazer a contração da preposição “em” com o artigo indefinido como regra nacional?)? “Você e tu”, está na minha letra de “Língua”. Odeio ter lido um elogio à decisão do novo traditor de Proust (um Py, aliás bom) de “evitar o lusitanismo “raparigas’” e chamar o título do terceiro volume de “Em busca do tempo perdido” de “À sombra das moças em flor”. Mas quê que é isso? Trata-se de um livro do início do século 20, contando histórias que se passam no século 19, um livro culto, complexo - por que diabos deve-se sacrificar o ritmo e a sonoridade bonita que Mário Quintana encontrou para traduzir “À l’ombre des jeunes filles en fleur” (inclusive mantendo o mesmo número de sílabas e a acentuação no “i” do original)? Só para usar o termo “moça”, vulgar, pesado, e dar a impressão de que escreveu em português brasileiro “natural”, sem “lusitanismo”? Não! Para mim ficou foi sem a beleza de “À sombra das raparigas em flor”. O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as “elites”? Tudo.
Retirado do blog: obraemprogresso.com.br
LINGÜISTAS
2/09/2008 1:51 am
Peço perdão a C por interromper o que quer que seja que estávamos falando (o que era mesmo? sobre críticas e a imprensa? alguém pensou que era contra São Paulo? jamais: estou muito no Rio mas gosto muito mais de São Paulo sob vários pontos de vista - um dia volto a esse antigo tema): preciso dizer a Lucas Matos que eu nunca escrevi que lingüistas não amam a língua portuguesa - e que quando falei em demagogia eu me referia a determinados argumentos que vi publicados, não a todos os lingüistas. Não preciso ser especialista na disciplina para me manifestar. O que escrevi foi: “Sou apaixonado pela língua portuguesa e por gramática (ao contrário de lingüistas e demagogos em geral, acho o sucesso público de figuras como o professor Pasquali um bom sintoma).” Já li e ouvi de diversos demagogos (alguns eram lingüistas) reações enraivadas à presença pública de Pasquali e outros gramáticos que dão dicas em revistas ou na TV. Diferentemente deles, acho um bom sinal que tal fenômeno tenha surgido e crescido. Não há nenhum charme de falar sobre o que não sei aí. Sei muito bem de tudo isso. Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele, Lévi-Strauss (cujo “Tristes trópicos” me apaixonou em 1968) falava dele, todos falavam de Jacobson, que falava dele. Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais. Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: “oiseaux”. Depois, entre muitas outras conversas, observações e leituras, fui nuançando essa visão. Para meu governo (tenho uma vida mental íntima, como todo o mundo, que não se desenvolve para publicar-se: aqui no blog naturalmente essa vida íntima se expõe mais, mas é só uma tênue película - como sói acontecer.). Há já um bom número de anos, fui fazer show em Campinas e um professor da Unicamp me entregou um presente: o livro de uma lingüista, com uma dedicatória bonita (”Para Caetano, com as palavras que me faltam”). O livro era sobre português europeu e português brasileiro. Talvez surjam aqui imprecisões, já que perdi o livro numa das mudanças que se seguiram à minha separação - e muitas vezes o confundo com um outro, de autoria coletiva, chamado “Português brasileiro” (título e expressão que adoro). O da professora era escrito num português excelente e tudo nele me interessava. Mas havia coisas que me ficaram como questões numa discussão que nunca se deu. Por exemplo: ela assumia de uma vez por todas que a segunda pessoa do singular não existe no Brasil. É “você” e acabou. A segunda do plural, então, já tinha morrido antes de o Império terminar. Considerava também como inexorável o desaparecimento futuro das conjugações reflexivas (os verbos pronominais). Ora, eu acho que os gaúchos dizem “tu” a torto e a direito (talvez mais a torto do que a direito); os cariocas conjugam, com muita ginga, verbos na segunda pessoa para enfatizar ironia ou agressividade (”tás me estranhando!”, “tás por fora”, “tens cara de veado” etc.) e usam o “tu” para mostrar informalidade (”tu é gay, tu é gay que eu sei”, o Maracanã grita para alguns jogadores; meu filho de 16 anos diz a seus amigos - e ouve deles - coisas como “tu vai lá e chega na mina.”); os pernambucanos perguntam sempre “viste?” - que muitas vezes eles suavizam para “visse?”; os paraenses conjugam o verbo na segunda pessoa, quando escolhem “tu” em vez de “você” - e muitos deles usam o possessivo na segunda do plural (a um casal ou grupo de amigos perguntam: “esses livros aqui são vossos?”). E, seja como for, todos os brasileiros, inclusive (talvez mesmo principalmente) as crianças entendem as letras das canções de Orestes Barbosa ou de Chico Buarque em que o cantor se dirige à amada na segunda do singular. Não se pode dizer que todas essas pessoas não possuam esses recursos da língua. Muito menos que as estará oprimindo quem lhes explicar como funcionam. Por outro lado, meus amigos baianos e cariocas (inclusive muitos semi-analfabetos) riem dos mineiros (e de alguns falantes do interior de São Paulo) quando eles omitem o pronome dos verbos reflexivos: “paixonei com ela” (em vez de “me apaixonei por ela”), “espera eu aprontar” (em vez de “espera eu me aprontar”), “assustou” (em vez de “se assustou”) etc. Lembro que, no livro, a professora indicava tratar-se de tendências. Mas, além de ela dar valor normativo a essas tendências, o argumento de que qualquer transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua é opressão era recorrente. Essas eram questões que gostaria de discutir com ela. Mas meu tempo foi sempre escasso - e temi importuná-la e tomar seu tempo. Depois perdi o livro. Volto a pensar nessas coisas (e em outras que encontrei, nascidas das descobertas de Noam Chomsky) sempre que vejo reações públicas de lingüistas a qualquer exposição de paradigma culto. Finalmente, li uma entrevista na Caros Amigos, que me foi enviada por Tuzé de Abreu, de um lingüista que escreveu “A norma oculta”, defendendo o português de Lula contra os preconceitos da “elite”. Eu tenho idéias políticas a respeito. E não preciso me formar em ligüística na Sorbonne para expô-lo. Claro que são argumentos para se discutir. Mas são fortes. Na entrevista do autor de “Norma oculta” (não estou evitando escrever seu nome: simplesmente esqueci, mas faço questão de mencionar o nome do livro, que deve ser lido) há agressões a Pasquali (por parte dele e dos entrevistadores) e a toda idéia de correção ou enriquecimento da fala. E um quase silêncio mórbido sobre a língua escrita. Ora, eu acho que esses arroubos de populismo são em geral um superesnobismo mal disfarçado. Claro que sei que se escrevia “frecha” (até os poetas românticos ainda usavam essa forma) e que , portanto, dizer “TV Grobo” não é exatamente errado. Mas as pessoas que dizem “grobo” são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder. Os emergentes brasileiros que, saindo da pobreza para a crescente classe média, desejam aprender com os Pasqualis da vida são os alvos finais da agressão desses lingüistas. Por mais bem intencionados que sejam, estes resultam demagógicos, pois proíbem a troca natural entre os níveis de informação (sendo assim mais contra o dsenvolvimento orgânico da língua do que os gramáticos) e ostentam estar de posse de teorias de ponta. Aliás, naquela longa entrevista de Lévi-Strauss a Didier Eribon, o grande antropólogo diz que começou influenciado pela lingüístca mas que nos últimos anos deixou de interessar-se pelos textos teóricos da disciplina por achá-los muito esnobes e preciosistas. Acho que se tivermos mais brasileiros letrados, melhores escolas, menos pobreza (isto já começa a se dar), o trato com a palavra escrita poderá mudar muitas “tendências”. E é gritante o desleixo pela palavra escrita nesse processo. Sim, me lembro de Saussure. Mas, por exemplo, há “tendências” misteriosas: por que leio hoje nos jornais e nos livros quase sempre “em um” ou “em uma”, em vez de “num” ou “numa”? Será que há uma regra que desconheço? Os falantes que ouço, todos, sempre disseram “o corpo foi encontrado num canto da praça Genral Osório”. Mas os jornais escrevem “em um canto da General Osório”. As moças da TV já dizem preferencialmente “em um”. E já começo a ouvir pessoas de carne e osso dizendo “em uma rua escura” em vez de “numa rua escura”. Será que é regional (como a professora que me mandou o livro toma uma inclinação mineira contra os verbos pronominais como universalmente brasileira, eu estarei tomando uma tendênia baiana a fazer a contração da preposição “em” com o artigo indefinido como regra nacional?)? “Você e tu”, está na minha letra de “Língua”. Odeio ter lido um elogio à decisão do novo traditor de Proust (um Py, aliás bom) de “evitar o lusitanismo “raparigas’” e chamar o título do terceiro volume de “Em busca do tempo perdido” de “À sombra das moças em flor”. Mas quê que é isso? Trata-se de um livro do início do século 20, contando histórias que se passam no século 19, um livro culto, complexo - por que diabos deve-se sacrificar o ritmo e a sonoridade bonita que Mário Quintana encontrou para traduzir “À l’ombre des jeunes filles en fleur” (inclusive mantendo o mesmo número de sílabas e a acentuação no “i” do original)? Só para usar o termo “moça”, vulgar, pesado, e dar a impressão de que escreveu em português brasileiro “natural”, sem “lusitanismo”? Não! Para mim ficou foi sem a beleza de “À sombra das raparigas em flor”. O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as “elites”? Tudo.
Retirado do blog: obraemprogresso.com.br
Só a natureza é divina - Fernando Pessoa
Só a Natureza é Divina - Fernando Pessoa
Só a natureza é divina, e ela não é divina...
Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...
Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.
Retirado do blog do pincecristal.
Só a natureza é divina, e ela não é divina...
Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...
Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.
Retirado do blog do pincecristal.
Bruno Medina- quando o nada é quase tudo
Quando o nada é quase tudo
Postado por Bruno Medina em 26 de Agosto de 2008 às 17:58
Ao longo da história da civilização cientistas e filósofos tentaram sem sucesso defini-lo. Considerando a complexidade de sua natureza, a compreensão do conceito acerca de sua existência demanda uma imensa dose de abstração, visto que, em tese, ele nem existe. Em tempos de super-exposição à informação e do costume de se preencher a rotina com atribulações que não cabem nas horas de um só dia, me parece que este é um conceito fadado à extinção. Tá complicado? Vai piorar.
O nada. Oposição ao ser, entendeu? Não? Segundo um clube que tem conquistado cada vez mais adeptos, melhor do que entende-lo é vive-lo. Portanto não se espante caso num domingo de sol se depare com um enorme cubo branco (símbolo do movimento), cercado por um bando de gente deitada, sem fazer nada. Estes provavelmente são os praticantes do nadismo. Não se trata de doutrina, tampouco de religião. O Clube de Nadismo é tão somente uma organização que se opõe a exarcebação da produtividade e da eficiência que, nas últimas décadas, assumiram ares de vício.
O objetivo é simples: incentivar o costume de haver um momento do dia reservado a fazer coisa alguma. Não confunda com dormir, ler ou assistir TV, fazer nada é fazer nada mesmo, de preferência nem pensar! Talvez alguns de vocês possam até achar que o nadismo seja uma piada, ou algo equivalente a estes textos recheados de frases de auto-ajuda falsamente atribuídos à autores famosos, que se espalham através das insuportáveis correntes de e-mail. Garanto que não é.
O movimento já foi retratado por alguns veículos de imprensa, é só procurar por aí. Existe até um site dedicado ao tema, onde é possível obter dicas sobre como se tornar sócio, bem como as melhores maneiras de se atingir o status quo da prática oficial do não-fazer. Recomendo a visitação, pois praticantes não-iniciados podem encontrar impedimentos que os levem a desistir. Antes de escrever este post tentei fazer nada por alguns minutos. Até consegui parar por completo no meio do dia, no entanto tive especial dificuldade em manter a mente livre de pensamentos; o maior desafio foi afastar a intenção de não fazer nada.
Em seguida não pude deixar de notar como, se bem explorada, a instituição de um movimento como estes pode vir à calhar. Admiro-me, inclusive, do manifesto fundamental ter sido escrito há apenas dois anos, apesar do “fazer nada” ter sempre sido a verdadeira grande meta (mesmo que não se admita) da humanidade. Se bem que, frente aos padrões nadistas, redigir um manifesto soa como um trabalho hercúleo…
Bastaria apenas que algum maluco alegasse que o nadismo é uma religião para que sua prática fosse encarada pela sociedade com seriedade e apreensão. “Fazer nada” durante o horário de trabalho ou de estudo não seria alvo de repressão, devido ao receio de ser confundido com perseguição ideológica. Por motivos óbvios o número de adeptos se espalharia sem controle e, aos poucos, haveria a adesão de algumas celebridades.
Não tardaria para que alguma cura milagrosa fosse relacionada ao nada e, à partir de alguma insistência -uma lista de assinaturas que culminasse na elaboração de um projeto de lei, por exemplo- não seria impensável que em alguns anos se estabelecesse um feriado dedicado a pratica do nadismo. Já pensou? Agora me ocorre uma outra questão: seria para os nadistas Homer Simpson um profeta?
Postado por Bruno Medina em 26 de Agosto de 2008 às 17:58
Ao longo da história da civilização cientistas e filósofos tentaram sem sucesso defini-lo. Considerando a complexidade de sua natureza, a compreensão do conceito acerca de sua existência demanda uma imensa dose de abstração, visto que, em tese, ele nem existe. Em tempos de super-exposição à informação e do costume de se preencher a rotina com atribulações que não cabem nas horas de um só dia, me parece que este é um conceito fadado à extinção. Tá complicado? Vai piorar.
O nada. Oposição ao ser, entendeu? Não? Segundo um clube que tem conquistado cada vez mais adeptos, melhor do que entende-lo é vive-lo. Portanto não se espante caso num domingo de sol se depare com um enorme cubo branco (símbolo do movimento), cercado por um bando de gente deitada, sem fazer nada. Estes provavelmente são os praticantes do nadismo. Não se trata de doutrina, tampouco de religião. O Clube de Nadismo é tão somente uma organização que se opõe a exarcebação da produtividade e da eficiência que, nas últimas décadas, assumiram ares de vício.
O objetivo é simples: incentivar o costume de haver um momento do dia reservado a fazer coisa alguma. Não confunda com dormir, ler ou assistir TV, fazer nada é fazer nada mesmo, de preferência nem pensar! Talvez alguns de vocês possam até achar que o nadismo seja uma piada, ou algo equivalente a estes textos recheados de frases de auto-ajuda falsamente atribuídos à autores famosos, que se espalham através das insuportáveis correntes de e-mail. Garanto que não é.
O movimento já foi retratado por alguns veículos de imprensa, é só procurar por aí. Existe até um site dedicado ao tema, onde é possível obter dicas sobre como se tornar sócio, bem como as melhores maneiras de se atingir o status quo da prática oficial do não-fazer. Recomendo a visitação, pois praticantes não-iniciados podem encontrar impedimentos que os levem a desistir. Antes de escrever este post tentei fazer nada por alguns minutos. Até consegui parar por completo no meio do dia, no entanto tive especial dificuldade em manter a mente livre de pensamentos; o maior desafio foi afastar a intenção de não fazer nada.
Em seguida não pude deixar de notar como, se bem explorada, a instituição de um movimento como estes pode vir à calhar. Admiro-me, inclusive, do manifesto fundamental ter sido escrito há apenas dois anos, apesar do “fazer nada” ter sempre sido a verdadeira grande meta (mesmo que não se admita) da humanidade. Se bem que, frente aos padrões nadistas, redigir um manifesto soa como um trabalho hercúleo…
Bastaria apenas que algum maluco alegasse que o nadismo é uma religião para que sua prática fosse encarada pela sociedade com seriedade e apreensão. “Fazer nada” durante o horário de trabalho ou de estudo não seria alvo de repressão, devido ao receio de ser confundido com perseguição ideológica. Por motivos óbvios o número de adeptos se espalharia sem controle e, aos poucos, haveria a adesão de algumas celebridades.
Não tardaria para que alguma cura milagrosa fosse relacionada ao nada e, à partir de alguma insistência -uma lista de assinaturas que culminasse na elaboração de um projeto de lei, por exemplo- não seria impensável que em alguns anos se estabelecesse um feriado dedicado a pratica do nadismo. Já pensou? Agora me ocorre uma outra questão: seria para os nadistas Homer Simpson um profeta?
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Manga Rosa
Hoje acordei de repente às 5 horas da manhã. Um episódio que me aconteceu há alguns anos atrás me veio à mente. Eu devia ter uns trinta e cinco anos. Sabe aquelas coisas que estão no novelo de linha da tua vida e que volta e meia solta um fio e voce começa a puxar, a puxar. Pois é, fiquei um tempão pensando, puxando um pedaço de linha e não dormi mais.
Estava eu em uma reunião de trabalho. Era início do ano. Ao iniciar a reunião, participamos de uma dinâmica de grupo - eu e meus colegas - .Cada um colocou no papel o nome de uma fruta com a qual se identificava, sem colocar o seu nome. Depois com todas as frutas juntas, cada um pegou um papel e tentou advinhar quem seria a pessoa, fazendo uma comparação com a fruta ou justificando a escolha da fruta. eu coloquei no meu papel "Manga rosa". Foi o primeiro nome que me veio à mente, embora, à época, eu nem gostasse muito de manga.
A pessoa que pegou o meu papel começou a falar. Não havia nada escrito. O diabo é que não me lembro bem quem foi. Acho que foi a Pastora, que já não trabalha mais conosco. Aqui vou tentar juntar os pedaços de palavras ditas naquele momento e que me sensibilizaram demais. Nunca alguém me tinha feito uma descrição daquelas.
"Esse teu rosto tranquilo, sereno, rosado, de mulher bem amada, parece não ter sofrido as marcas do tempo e não sei se há tristezas ou dores por trás dele. a cada dia, como uma manga que vai amadurecendo, ele fica mais bonito. a acidez própria da juventude e da manga ainda verde deu lugar agora a uma fruta doce, saborosa e tenra, de encher os olhos. De longe, quando ainda não nos conhecíamos bem, por se mostrar sempre tão segura e dona de si, o seu coração parecia duro como o caroço da manga que foi se solidificando com o tempo. De perto, quando a conhecemos melhor, sentimos na tua fala e nos teu gestos, quão grande é o teu coração, desproporcional para o teu tamanho como o é o da manga. Provamos da tua generosidade, do teu apoio, da tua colaboração e da tua disposição, como a mangueira frondosa que abre os seus galhos para nos abrigar e proteger.
Vejo, neste momento, que brota dos teus olhos uma lágrima. Talvez seja o leite da manga arrancada ainda verde, que escorre e gruda na pele. como já disse, se tens tristezas, dores ou mágoas a tua pele não te denuncia, pois se está sempre viçosa. A manga, mesmo madura, amolecida e machucada conserva a sua pele firme.
Vejo em ti o doce sabor da manga. Quem já comeu uma salada de frutas, sabe que o sabor da manga na salada torna-a mais saborosa. A manga, também pode ser servida com pratos quentes, doces e salgados, tal a sua versatilidade.
Você, Marlene, é a manga rosa desta salada.
OLha, eu desabei. Hoje, quando lembrei disso, dei uma boa risada. Acho que naquele momento, eu parecia mesmo uma manga. Agora, de manga , acho que nao tenho mais muita coisa, não. Não gosto de manga madura. Fica muito doce, enjoativa. Talvez isso tenha ficado. Acho que estou mesmo um pouco enjoativa, doce demais, sentimental demais. Gosto dela meio madura, ainda com a polpa firme pra colocar na minha salada de frutas ou de verduras e só. Ainda bem que naquela época não existia a mulher melancia. De qualquer forma, minha amiga, obrigada. a intenção foi boa.
Estava eu em uma reunião de trabalho. Era início do ano. Ao iniciar a reunião, participamos de uma dinâmica de grupo - eu e meus colegas - .Cada um colocou no papel o nome de uma fruta com a qual se identificava, sem colocar o seu nome. Depois com todas as frutas juntas, cada um pegou um papel e tentou advinhar quem seria a pessoa, fazendo uma comparação com a fruta ou justificando a escolha da fruta. eu coloquei no meu papel "Manga rosa". Foi o primeiro nome que me veio à mente, embora, à época, eu nem gostasse muito de manga.
A pessoa que pegou o meu papel começou a falar. Não havia nada escrito. O diabo é que não me lembro bem quem foi. Acho que foi a Pastora, que já não trabalha mais conosco. Aqui vou tentar juntar os pedaços de palavras ditas naquele momento e que me sensibilizaram demais. Nunca alguém me tinha feito uma descrição daquelas.
"Esse teu rosto tranquilo, sereno, rosado, de mulher bem amada, parece não ter sofrido as marcas do tempo e não sei se há tristezas ou dores por trás dele. a cada dia, como uma manga que vai amadurecendo, ele fica mais bonito. a acidez própria da juventude e da manga ainda verde deu lugar agora a uma fruta doce, saborosa e tenra, de encher os olhos. De longe, quando ainda não nos conhecíamos bem, por se mostrar sempre tão segura e dona de si, o seu coração parecia duro como o caroço da manga que foi se solidificando com o tempo. De perto, quando a conhecemos melhor, sentimos na tua fala e nos teu gestos, quão grande é o teu coração, desproporcional para o teu tamanho como o é o da manga. Provamos da tua generosidade, do teu apoio, da tua colaboração e da tua disposição, como a mangueira frondosa que abre os seus galhos para nos abrigar e proteger.
Vejo, neste momento, que brota dos teus olhos uma lágrima. Talvez seja o leite da manga arrancada ainda verde, que escorre e gruda na pele. como já disse, se tens tristezas, dores ou mágoas a tua pele não te denuncia, pois se está sempre viçosa. A manga, mesmo madura, amolecida e machucada conserva a sua pele firme.
Vejo em ti o doce sabor da manga. Quem já comeu uma salada de frutas, sabe que o sabor da manga na salada torna-a mais saborosa. A manga, também pode ser servida com pratos quentes, doces e salgados, tal a sua versatilidade.
Você, Marlene, é a manga rosa desta salada.
OLha, eu desabei. Hoje, quando lembrei disso, dei uma boa risada. Acho que naquele momento, eu parecia mesmo uma manga. Agora, de manga , acho que nao tenho mais muita coisa, não. Não gosto de manga madura. Fica muito doce, enjoativa. Talvez isso tenha ficado. Acho que estou mesmo um pouco enjoativa, doce demais, sentimental demais. Gosto dela meio madura, ainda com a polpa firme pra colocar na minha salada de frutas ou de verduras e só. Ainda bem que naquela época não existia a mulher melancia. De qualquer forma, minha amiga, obrigada. a intenção foi boa.
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